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MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS
EDUARDO SÉRGIO O OLHO DA LIBÉLULA FERNANDO MORAIS GOMES MISSA DAS DEZ EM S.MARTINHO FILOMENA MARONA BEJA A SENHORA INFANTA EM SINTRA RAQUEL OCHOA BOM DIA OU GOOD MORNING? GONÇALO MOLEIRO "A ARQUITECTURA E O MODO COMO QUEREMOS VIVER" JOÃO RODIL CHRISTOPHER ISHERWOOD E A GERAÇÃO AUDEN EM SINTRA MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS GALOPIM DE CARVALHO PEGADAS NA PRAIA GRANDE DO RODÍZIO LUÍS FREITAS LIBERDADE TOTAL O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, primeiro e único romance do sintrense Fernando Faria, publicado em 2015, constitui um belíssimo retrato ficcional da fundação do Convento dos Capuchos, em 1560, sob patronato de D. Álvaro de Castro, proprietário da Quinta da Penha Verde e filho de D. João de Castro, vice-rei da Índia. Com explícita vocação literária, dotado de uma extensíssima amplidão lexical apropriada à cultura Quinhentista, Fernando Faria, dominando os usos e costumes da época, tantos os populares como os da corte, cruza, no seu romance, a vida no ermitério dos Capuchos, durante o seu primeiro ano de existência, com a vida de devoção e penitência de o “Noviço”, isto é, de Agostinho Pimenta ou, como se tornará conhecido na história da literatura portuguesa, frei Agostinho da Cruz. Assistimos, assim, à iniciação de Frei Agostinho da Cruz (da “Cruz” porque o Convento dos Capuchos teve nascimento com a designação de Convento da Santa Cruz), no interior dos franciscanos observantes portugueses, ou Arrábidos, que no século XVI, intentavam, à imitação do impulso inicial de S. Francisco de Assis, trezentos anos antes, restaurar pelo exemplo pessoal o domínio das virtudes de pobreza, humildade e castidade, há muito esquecidas no interior dos conventos, bem como na própria igreja. Os “Capuchos” (porque o hábito compreendia a existência de um capuz que protegia a cabeça da atmosfera gélida dos picos das serras onde se erguiam os conventos) ou Arrábidos (porque fora na serra da Arrábida o primeiro convento dos franciscanos observantes) tornam-se, assim, no início da Idade Moderna, os mais intrépidos defensores de uma vida solitária, de oração e penitência, em harmonia com a natureza, reprodutora da harmonia íntima com Deus, de expiação das tentações do corpo, macerando este por via de uma contínua flagelação ao nível da alimentação, do repouso (celas de espaço diminuto), dos jejuns, da oração, pela qual intentam libertar a alma. Sem revelar o conjunto de histórias que constituem o romance, não podemos deixar de referir que Fernando Faria expõe, com notável sentido estético, a vivência comunitária dos oito frades que inauguraram o convento, explorando, segundo o ritmo das estações, a sua rotina monacal, adaptada aos espaços ainda hoje visitáveis, bem como desenvolve um conjunto de peripécias que constituem a adaptação de cada um deles à nova existência: o gosto pelos livros, o gosto pela cozinha, o gosto pelo horto, o gosto pela botica, o desespero de um frade, com desfecho trágico, que, antes de professar, deixara voluntariamente morrer um rival no amor. Entre todos, ganham preponderância as dúvidas e incertezas do noviço Agostinho Pimenta, as reminiscências da sua anterior vida profana, a sua paixão (mais carnal do que mental) pela jovem Mécia Pais, aia, mais tarde camareira, de D. Isabel de Bragança, com paço em Azeitão, e, em conjunto com frei Jácome Peregrino, provincial da Ordem dos Arrábidos, protectora de Agostinho, o mais devoto da comunidade. De realçar, igualmente, a visita de dois frades, frei Pedro de Antoria e de frei Lourenço do Cenáculo, à gafaria de S. Pedro, as suas condições espaciais e existenciais e a exploração do tema da doença da lepra, tema raramente representado do romance português, sobretudo no século XVI e em S. Pedro de Penaferrim. O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos abre com a inauguração do convento, com a presença da família real (D. Catarina e o menino D. Sebastião) e encerra no final do primeiro ano, com nova presença régia. Inesperadamente, na inauguração, Damião de Góis discursa, evidenciando a situação religiosa portuguesa comparada com a europeia, e, no encerramento, brilha a presença de D. António Prior do Crato, anunciando, para o leitor, os tormentos de que em breve o reino será acometido, e, quem sabe, prenúncio de um novo romance de Fernando Faria, cujo talento literário não pode restar-se concentrado num único romance, ainda que de evidente qualidade. Fernando Faria, O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, Ed. By the Book, 239 pp., 2015.
MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS
EDUARDO SÉRGIO O OLHO DA LIBÉLULA FERNANDO MORAIS GOMES MISSA DAS DEZ EM S.MARTINHO FILOMENA MARONA BEJA A SENHORA INFANTA EM SINTRA RAQUEL OCHOA BOM DIA OU GOOD MORNING? GONÇALO MOLEIRO "A ARQUITECTURA E O MODO COMO QUEREMOS VIVER" JOÃO RODIL CHRISTOPHER ISHERWOOD E A GERAÇÃO AUDEN EM SINTRA MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS GALOPIM DE CARVALHO PEGADAS NA PRAIA GRANDE DO RODÍZIO LUÍS FREITAS LIBERDADE TOTAL O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, primeiro e único romance do sintrense Fernando Faria, publicado em 2015, constitui um belíssimo retrato ficcional da fundação do Convento dos Capuchos, em 1560, sob patronato de D. Álvaro de Castro, proprietário da Quinta da Penha Verde e filho de D. João de Castro, vice-rei da Índia. Com explícita vocação literária, dotado de uma extensíssima amplidão lexical apropriada à cultura Quinhentista, Fernando Faria, dominando os usos e costumes da época, tantos os populares como os da corte, cruza, no seu romance, a vida no ermitério dos Capuchos, durante o seu primeiro ano de existência, com a vida de devoção e penitência de o “Noviço”, isto é, de Agostinho Pimenta ou, como se tornará conhecido na história da literatura portuguesa, frei Agostinho da Cruz. Assistimos, assim, à iniciação de Frei Agostinho da Cruz (da “Cruz” porque o Convento dos Capuchos teve nascimento com a designação de Convento da Santa Cruz), no interior dos franciscanos observantes portugueses, ou Arrábidos, que no século XVI, intentavam, à imitação do impulso inicial de S. Francisco de Assis, trezentos anos antes, restaurar pelo exemplo pessoal o domínio das virtudes de pobreza, humildade e castidade, há muito esquecidas no interior dos conventos, bem como na própria igreja. Os “Capuchos” (porque o hábito compreendia a existência de um capuz que protegia a cabeça da atmosfera gélida dos picos das serras onde se erguiam os conventos) ou Arrábidos (porque fora na serra da Arrábida o primeiro convento dos franciscanos observantes) tornam-se, assim, no início da Idade Moderna, os mais intrépidos defensores de uma vida solitária, de oração e penitência, em harmonia com a natureza, reprodutora da harmonia íntima com Deus, de expiação das tentações do corpo, macerando este por via de uma contínua flagelação ao nível da alimentação, do repouso (celas de espaço diminuto), dos jejuns, da oração, pela qual intentam libertar a alma. Sem revelar o conjunto de histórias que constituem o romance, não podemos deixar de referir que Fernando Faria expõe, com notável sentido estético, a vivência comunitária dos oito frades que inauguraram o convento, explorando, segundo o ritmo das estações, a sua rotina monacal, adaptada aos espaços ainda hoje visitáveis, bem como desenvolve um conjunto de peripécias que constituem a adaptação de cada um deles à nova existência: o gosto pelos livros, o gosto pela cozinha, o gosto pelo horto, o gosto pela botica, o desespero de um frade, com desfecho trágico, que, antes de professar, deixara voluntariamente morrer um rival no amor. Entre todos, ganham preponderância as dúvidas e incertezas do noviço Agostinho Pimenta, as reminiscências da sua anterior vida profana, a sua paixão (mais carnal do que mental) pela jovem Mécia Pais, aia, mais tarde camareira, de D. Isabel de Bragança, com paço em Azeitão, e, em conjunto com frei Jácome Peregrino, provincial da Ordem dos Arrábidos, protectora de Agostinho, o mais devoto da comunidade. De realçar, igualmente, a visita de dois frades, frei Pedro de Antoria e de frei Lourenço do Cenáculo, à gafaria de S. Pedro, as suas condições espaciais e existenciais e a exploração do tema da doença da lepra, tema raramente representado do romance português, sobretudo no século XVI e em S. Pedro de Penaferrim. O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos abre com a inauguração do convento, com a presença da família real (D. Catarina e o menino D. Sebastião) e encerra no final do primeiro ano, com nova presença régia. Inesperadamente, na inauguração, Damião de Góis discursa, evidenciando a situação religiosa portuguesa comparada com a europeia, e, no encerramento, brilha a presença de D. António Prior do Crato, anunciando, para o leitor, os tormentos de que em breve o reino será acometido, e, quem sabe, prenúncio de um novo romance de Fernando Faria, cujo talento literário não pode restar-se concentrado num único romance, ainda que de evidente qualidade. Fernando Faria, O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, Ed. By the Book, 239 pp., 2015.
MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS
O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, primeiro e único romance do sintrense Fernando Faria, publicado em 2015, constitui um belíssimo retrato ficcional da fundação do Convento dos Capuchos, em 1560, sob patronato de D. Álvaro de Castro, proprietário da Quinta da Penha Verde e filho de D. João de Castro, vice-rei da Índia. Com explícita vocação literária, dotado de uma extensíssima amplidão lexical apropriada à cultura Quinhentista, Fernando Faria, dominando os usos e costumes da época, tantos os populares como os da corte, cruza, no seu romance, a vida no ermitério dos Capuchos, durante o seu primeiro ano de existência, com a vida de devoção e penitência de o “Noviço”, isto é, de Agostinho Pimenta ou, como se tornará conhecido na história da literatura portuguesa, frei Agostinho da Cruz. Assistimos, assim, à iniciação de Frei Agostinho da Cruz (da “Cruz” porque o Convento dos Capuchos teve nascimento com a designação de Convento da Santa Cruz), no interior dos franciscanos observantes portugueses, ou Arrábidos, que no século XVI, intentavam, à imitação do impulso inicial de S. Francisco de Assis, trezentos anos antes, restaurar pelo exemplo pessoal o domínio das virtudes de pobreza, humildade e castidade, há muito esquecidas no interior dos conventos, bem como na própria igreja. Os “Capuchos” (porque o hábito compreendia a existência de um capuz que protegia a cabeça da atmosfera gélida dos picos das serras onde se erguiam os conventos) ou Arrábidos (porque fora na serra da Arrábida o primeiro convento dos franciscanos observantes) tornam-se, assim, no início da Idade Moderna, os mais intrépidos defensores de uma vida solitária, de oração e penitência, em harmonia com a natureza, reprodutora da harmonia íntima com Deus, de expiação das tentações do corpo, macerando este por via de uma contínua flagelação ao nível da alimentação, do repouso (celas de espaço diminuto), dos jejuns, da oração, pela qual intentam libertar a alma. Sem revelar o conjunto de histórias que constituem o romance, não podemos deixar de referir que Fernando Faria expõe, com notável sentido estético, a vivência comunitária dos oito frades que inauguraram o convento, explorando, segundo o ritmo das estações, a sua rotina monacal, adaptada aos espaços ainda hoje visitáveis, bem como desenvolve um conjunto de peripécias que constituem a adaptação de cada um deles à nova existência: o gosto pelos livros, o gosto pela cozinha, o gosto pelo horto, o gosto pela botica, o desespero de um frade, com desfecho trágico, que, antes de professar, deixara voluntariamente morrer um rival no amor. Entre todos, ganham preponderância as dúvidas e incertezas do noviço Agostinho Pimenta, as reminiscências da sua anterior vida profana, a sua paixão (mais carnal do que mental) pela jovem Mécia Pais, aia, mais tarde camareira, de D. Isabel de Bragança, com paço em Azeitão, e, em conjunto com frei Jácome Peregrino, provincial da Ordem dos Arrábidos, protectora de Agostinho, o mais devoto da comunidade. De realçar, igualmente, a visita de dois frades, frei Pedro de Antoria e de frei Lourenço do Cenáculo, à gafaria de S. Pedro, as suas condições espaciais e existenciais e a exploração do tema da doença da lepra, tema raramente representado do romance português, sobretudo no século XVI e em S. Pedro de Penaferrim. O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos abre com a inauguração do convento, com a presença da família real (D. Catarina e o menino D. Sebastião) e encerra no final do primeiro ano, com nova presença régia. Inesperadamente, na inauguração, Damião de Góis discursa, evidenciando a situação religiosa portuguesa comparada com a europeia, e, no encerramento, brilha a presença de D. António Prior do Crato, anunciando, para o leitor, os tormentos de que em breve o reino será acometido, e, quem sabe, prenúncio de um novo romance de Fernando Faria, cujo talento literário não pode restar-se concentrado num único romance, ainda que de evidente qualidade. Fernando Faria, O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, Ed. By the Book, 239 pp., 2015.
MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS
O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, primeiro e único romance do sintrense Fernando Faria, publicado em 2015, constitui um belíssimo retrato ficcional da fundação do Convento dos Capuchos, em 1560, sob patronato de D. Álvaro de Castro, proprietário da Quinta da Penha Verde e filho de D. João de Castro, vice-rei da Índia. Com explícita vocação literária, dotado de uma extensíssima amplidão lexical apropriada à cultura Quinhentista, Fernando Faria, dominando os usos e costumes da época, tantos os populares como os da corte, cruza, no seu romance, a vida no ermitério dos Capuchos, durante o seu primeiro ano de existência, com a vida de devoção e penitência de o “Noviço”, isto é, de Agostinho Pimenta ou, como se tornará conhecido na história da literatura portuguesa, frei Agostinho da Cruz. Assistimos, assim, à iniciação de Frei Agostinho da Cruz (da “Cruz” porque o Convento dos Capuchos teve nascimento com a designação de Convento da Santa Cruz), no interior dos franciscanos observantes portugueses, ou Arrábidos, que no século XVI, intentavam, à imitação do impulso inicial de S. Francisco de Assis, trezentos anos antes, restaurar pelo exemplo pessoal o domínio das virtudes de pobreza, humildade e castidade, há muito esquecidas no interior dos conventos, bem como na própria igreja. Os “Capuchos” (porque o hábito compreendia a existência de um capuz que protegia a cabeça da atmosfera gélida dos picos das serras onde se erguiam os conventos) ou Arrábidos (porque fora na serra da Arrábida o primeiro convento dos franciscanos observantes) tornam-se, assim, no início da Idade Moderna, os mais intrépidos defensores de uma vida solitária, de oração e penitência, em harmonia com a natureza, reprodutora da harmonia íntima com Deus, de expiação das tentações do corpo, macerando este por via de uma contínua flagelação ao nível da alimentação, do repouso (celas de espaço diminuto), dos jejuns, da oração, pela qual intentam libertar a alma. Sem revelar o conjunto de histórias que constituem o romance, não podemos deixar de referir que Fernando Faria expõe, com notável sentido estético, a vivência comunitária dos oito frades que inauguraram o convento, explorando, segundo o ritmo das estações, a sua rotina monacal, adaptada aos espaços ainda hoje visitáveis, bem como desenvolve um conjunto de peripécias que constituem a adaptação de cada um deles à nova existência: o gosto pelos livros, o gosto pela cozinha, o gosto pelo horto, o gosto pela botica, o desespero de um frade, com desfecho trágico, que, antes de professar, deixara voluntariamente morrer um rival no amor. Entre todos, ganham preponderância as dúvidas e incertezas do noviço Agostinho Pimenta, as reminiscências da sua anterior vida profana, a sua paixão (mais carnal do que mental) pela jovem Mécia Pais, aia, mais tarde camareira, de D. Isabel de Bragança, com paço em Azeitão, e, em conjunto com frei Jácome Peregrino, provincial da Ordem dos Arrábidos, protectora de Agostinho, o mais devoto da comunidade. De realçar, igualmente, a visita de dois frades, frei Pedro de Antoria e de frei Lourenço do Cenáculo, à gafaria de S. Pedro, as suas condições espaciais e existenciais e a exploração do tema da doença da lepra, tema raramente representado do romance português, sobretudo no século XVI e em S. Pedro de Penaferrim. O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos abre com a inauguração do convento, com a presença da família real (D. Catarina e o menino D. Sebastião) e encerra no final do primeiro ano, com nova presença régia. Inesperadamente, na inauguração, Damião de Góis discursa, evidenciando a situação religiosa portuguesa comparada com a europeia, e, no encerramento, brilha a presença de D. António Prior do Crato, anunciando, para o leitor, os tormentos de que em breve o reino será acometido, e, quem sabe, prenúncio de um novo romance de Fernando Faria, cujo talento literário não pode restar-se concentrado num único romance, ainda que de evidente qualidade. Fernando Faria, O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, Ed. By the Book, 239 pp., 2015.
O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, primeiro e único romance do sintrense Fernando Faria, publicado em 2015, constitui um belíssimo retrato ficcional da fundação do Convento dos Capuchos, em 1560, sob patronato de D. Álvaro de Castro, proprietário da Quinta da Penha Verde e filho de D. João de Castro, vice-rei da Índia. Com explícita vocação literária, dotado de uma extensíssima amplidão lexical apropriada à cultura Quinhentista, Fernando Faria, dominando os usos e costumes da época, tantos os populares como os da corte, cruza, no seu romance, a vida no ermitério dos Capuchos, durante o seu primeiro ano de existência, com a vida de devoção e penitência de o “Noviço”, isto é, de Agostinho Pimenta ou, como se tornará conhecido na história da literatura portuguesa, frei Agostinho da Cruz. Assistimos, assim, à iniciação de Frei Agostinho da Cruz (da “Cruz” porque o Convento dos Capuchos teve nascimento com a designação de Convento da Santa Cruz), no interior dos franciscanos observantes portugueses, ou Arrábidos, que no século XVI, intentavam, à imitação do impulso inicial de S. Francisco de Assis, trezentos anos antes, restaurar pelo exemplo pessoal o domínio das virtudes de pobreza, humildade e castidade, há muito esquecidas no interior dos conventos, bem como na própria igreja. Os “Capuchos” (porque o hábito compreendia a existência de um capuz que protegia a cabeça da atmosfera gélida dos picos das serras onde se erguiam os conventos) ou Arrábidos (porque fora na serra da Arrábida o primeiro convento dos franciscanos observantes) tornam-se, assim, no início da Idade Moderna, os mais intrépidos defensores de uma vida solitária, de oração e penitência, em harmonia com a natureza, reprodutora da harmonia íntima com Deus, de expiação das tentações do corpo, macerando este por via de uma contínua flagelação ao nível da alimentação, do repouso (celas de espaço diminuto), dos jejuns, da oração, pela qual intentam libertar a alma. Sem revelar o conjunto de histórias que constituem o romance, não podemos deixar de referir que Fernando Faria expõe, com notável sentido estético, a vivência comunitária dos oito frades que inauguraram o convento, explorando, segundo o ritmo das estações, a sua rotina monacal, adaptada aos espaços ainda hoje visitáveis, bem como desenvolve um conjunto de peripécias que constituem a adaptação de cada um deles à nova existência: o gosto pelos livros, o gosto pela cozinha, o gosto pelo horto, o gosto pela botica, o desespero de um frade, com desfecho trágico, que, antes de professar, deixara voluntariamente morrer um rival no amor. Entre todos, ganham preponderância as dúvidas e incertezas do noviço Agostinho Pimenta, as reminiscências da sua anterior vida profana, a sua paixão (mais carnal do que mental) pela jovem Mécia Pais, aia, mais tarde camareira, de D. Isabel de Bragança, com paço em Azeitão, e, em conjunto com frei Jácome Peregrino, provincial da Ordem dos Arrábidos, protectora de Agostinho, o mais devoto da comunidade. De realçar, igualmente, a visita de dois frades, frei Pedro de Antoria e de frei Lourenço do Cenáculo, à gafaria de S. Pedro, as suas condições espaciais e existenciais e a exploração do tema da doença da lepra, tema raramente representado do romance português, sobretudo no século XVI e em S. Pedro de Penaferrim. O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos abre com a inauguração do convento, com a presença da família real (D. Catarina e o menino D. Sebastião) e encerra no final do primeiro ano, com nova presença régia. Inesperadamente, na inauguração, Damião de Góis discursa, evidenciando a situação religiosa portuguesa comparada com a europeia, e, no encerramento, brilha a presença de D. António Prior do Crato, anunciando, para o leitor, os tormentos de que em breve o reino será acometido, e, quem sabe, prenúncio de um novo romance de Fernando Faria, cujo talento literário não pode restar-se concentrado num único romance, ainda que de evidente qualidade. Fernando Faria, O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, Ed. By the Book, 239 pp., 2015. MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS
O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, primeiro e único romance do sintrense Fernando Faria, publicado em 2015, constitui um belíssimo retrato ficcional da fundação do Convento dos Capuchos, em 1560, sob patronato de D. Álvaro de Castro, proprietário da Quinta da Penha Verde e filho de D. João de Castro, vice-rei da Índia. Com explícita vocação literária, dotado de uma extensíssima amplidão lexical apropriada à cultura Quinhentista, Fernando Faria, dominando os usos e costumes da época, tantos os populares como os da corte, cruza, no seu romance, a vida no ermitério dos Capuchos, durante o seu primeiro ano de existência, com a vida de devoção e penitência de o “Noviço”, isto é, de Agostinho Pimenta ou, como se tornará conhecido na história da literatura portuguesa, frei Agostinho da Cruz. Assistimos, assim, à iniciação de Frei Agostinho da Cruz (da “Cruz” porque o Convento dos Capuchos teve nascimento com a designação de Convento da Santa Cruz), no interior dos franciscanos observantes portugueses, ou Arrábidos, que no século XVI, intentavam, à imitação do impulso inicial de S. Francisco de Assis, trezentos anos antes, restaurar pelo exemplo pessoal o domínio das virtudes de pobreza, humildade e castidade, há muito esquecidas no interior dos conventos, bem como na própria igreja. Os “Capuchos” (porque o hábito compreendia a existência de um capuz que protegia a cabeça da atmosfera gélida dos picos das serras onde se erguiam os conventos) ou Arrábidos (porque fora na serra da Arrábida o primeiro convento dos franciscanos observantes) tornam-se, assim, no início da Idade Moderna, os mais intrépidos defensores de uma vida solitária, de oração e penitência, em harmonia com a natureza, reprodutora da harmonia íntima com Deus, de expiação das tentações do corpo, macerando este por via de uma contínua flagelação ao nível da alimentação, do repouso (celas de espaço diminuto), dos jejuns, da oração, pela qual intentam libertar a alma. Sem revelar o conjunto de histórias que constituem o romance, não podemos deixar de referir que Fernando Faria expõe, com notável sentido estético, a vivência comunitária dos oito frades que inauguraram o convento, explorando, segundo o ritmo das estações, a sua rotina monacal, adaptada aos espaços ainda hoje visitáveis, bem como desenvolve um conjunto de peripécias que constituem a adaptação de cada um deles à nova existência: o gosto pelos livros, o gosto pela cozinha, o gosto pelo horto, o gosto pela botica, o desespero de um frade, com desfecho trágico, que, antes de professar, deixara voluntariamente morrer um rival no amor. Entre todos, ganham preponderância as dúvidas e incertezas do noviço Agostinho Pimenta, as reminiscências da sua anterior vida profana, a sua paixão (mais carnal do que mental) pela jovem Mécia Pais, aia, mais tarde camareira, de D. Isabel de Bragança, com paço em Azeitão, e, em conjunto com frei Jácome Peregrino, provincial da Ordem dos Arrábidos, protectora de Agostinho, o mais devoto da comunidade. De realçar, igualmente, a visita de dois frades, frei Pedro de Antoria e de frei Lourenço do Cenáculo, à gafaria de S. Pedro, as suas condições espaciais e existenciais e a exploração do tema da doença da lepra, tema raramente representado do romance português, sobretudo no século XVI e em S. Pedro de Penaferrim. O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos abre com a inauguração do convento, com a presença da família real (D. Catarina e o menino D. Sebastião) e encerra no final do primeiro ano, com nova presença régia. Inesperadamente, na inauguração, Damião de Góis discursa, evidenciando a situação religiosa portuguesa comparada com a europeia, e, no encerramento, brilha a presença de D. António Prior do Crato, anunciando, para o leitor, os tormentos de que em breve o reino será acometido, e, quem sabe, prenúncio de um novo romance de Fernando Faria, cujo talento literário não pode restar-se concentrado num único romance, ainda que de evidente qualidade. Fernando Faria, O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, Ed. By the Book, 239 pp., 2015. MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS
O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, primeiro e único romance do sintrense Fernando Faria, publicado em 2015, constitui um belíssimo retrato ficcional da fundação do Convento dos Capuchos, em 1560, sob patronato de D. Álvaro de Castro, proprietário da Quinta da Penha Verde e filho de D. João de Castro, vice-rei da Índia. Com explícita vocação literária, dotado de uma extensíssima amplidão lexical apropriada à cultura Quinhentista, Fernando Faria, dominando os usos e costumes da época, tantos os populares como os da corte, cruza, no seu romance, a vida no ermitério dos Capuchos, durante o seu primeiro ano de existência, com a vida de devoção e penitência de o “Noviço”, isto é, de Agostinho Pimenta ou, como se tornará conhecido na história da literatura portuguesa, frei Agostinho da Cruz. Assistimos, assim, à iniciação de Frei Agostinho da Cruz (da “Cruz” porque o Convento dos Capuchos teve nascimento com a designação de Convento da Santa Cruz), no interior dos franciscanos observantes portugueses, ou Arrábidos, que no século XVI, intentavam, à imitação do impulso inicial de S. Francisco de Assis, trezentos anos antes, restaurar pelo exemplo pessoal o domínio das virtudes de pobreza, humildade e castidade, há muito esquecidas no interior dos conventos, bem como na própria igreja. Os “Capuchos” (porque o hábito compreendia a existência de um capuz que protegia a cabeça da atmosfera gélida dos picos das serras onde se erguiam os conventos) ou Arrábidos (porque fora na serra da Arrábida o primeiro convento dos franciscanos observantes) tornam-se, assim, no início da Idade Moderna, os mais intrépidos defensores de uma vida solitária, de oração e penitência, em harmonia com a natureza, reprodutora da harmonia íntima com Deus, de expiação das tentações do corpo, macerando este por via de uma contínua flagelação ao nível da alimentação, do repouso (celas de espaço diminuto), dos jejuns, da oração, pela qual intentam libertar a alma. Sem revelar o conjunto de histórias que constituem o romance, não podemos deixar de referir que Fernando Faria expõe, com notável sentido estético, a vivência comunitária dos oito frades que inauguraram o convento, explorando, segundo o ritmo das estações, a sua rotina monacal, adaptada aos espaços ainda hoje visitáveis, bem como desenvolve um conjunto de peripécias que constituem a adaptação de cada um deles à nova existência: o gosto pelos livros, o gosto pela cozinha, o gosto pelo horto, o gosto pela botica, o desespero de um frade, com desfecho trágico, que, antes de professar, deixara voluntariamente morrer um rival no amor. Entre todos, ganham preponderância as dúvidas e incertezas do noviço Agostinho Pimenta, as reminiscências da sua anterior vida profana, a sua paixão (mais carnal do que mental) pela jovem Mécia Pais, aia, mais tarde camareira, de D. Isabel de Bragança, com paço em Azeitão, e, em conjunto com frei Jácome Peregrino, provincial da Ordem dos Arrábidos, protectora de Agostinho, o mais devoto da comunidade. De realçar, igualmente, a visita de dois frades, frei Pedro de Antoria e de frei Lourenço do Cenáculo, à gafaria de S. Pedro, as suas condições espaciais e existenciais e a exploração do tema da doença da lepra, tema raramente representado do romance português, sobretudo no século XVI e em S. Pedro de Penaferrim. O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos abre com a inauguração do convento, com a presença da família real (D. Catarina e o menino D. Sebastião) e encerra no final do primeiro ano, com nova presença régia. Inesperadamente, na inauguração, Damião de Góis discursa, evidenciando a situação religiosa portuguesa comparada com a europeia, e, no encerramento, brilha a presença de D. António Prior do Crato, anunciando, para o leitor, os tormentos de que em breve o reino será acometido, e, quem sabe, prenúncio de um novo romance de Fernando Faria, cujo talento literário não pode restar-se concentrado num único romance, ainda que de evidente qualidade. Fernando Faria, O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, Ed. By the Book, 239 pp., 2015. MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS
O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, primeiro e único romance do sintrense Fernando Faria, publicado em 2015, constitui um belíssimo retrato ficcional da fundação do Convento dos Capuchos, em 1560, sob patronato de D. Álvaro de Castro, proprietário da Quinta da Penha Verde e filho de D. João de Castro, vice-rei da Índia. Com explícita vocação literária, dotado de uma extensíssima amplidão lexical apropriada à cultura Quinhentista, Fernando Faria, dominando os usos e costumes da época, tantos os populares como os da corte, cruza, no seu romance, a vida no ermitério dos Capuchos, durante o seu primeiro ano de existência, com a vida de devoção e penitência de o “Noviço”, isto é, de Agostinho Pimenta ou, como se tornará conhecido na história da literatura portuguesa, frei Agostinho da Cruz. Assistimos, assim, à iniciação de Frei Agostinho da Cruz (da “Cruz” porque o Convento dos Capuchos teve nascimento com a designação de Convento da Santa Cruz), no interior dos franciscanos observantes portugueses, ou Arrábidos, que no século XVI, intentavam, à imitação do impulso inicial de S. Francisco de Assis, trezentos anos antes, restaurar pelo exemplo pessoal o domínio das virtudes de pobreza, humildade e castidade, há muito esquecidas no interior dos conventos, bem como na própria igreja. Os “Capuchos” (porque o hábito compreendia a existência de um capuz que protegia a cabeça da atmosfera gélida dos picos das serras onde se erguiam os conventos) ou Arrábidos (porque fora na serra da Arrábida o primeiro convento dos franciscanos observantes) tornam-se, assim, no início da Idade Moderna, os mais intrépidos defensores de uma vida solitária, de oração e penitência, em harmonia com a natureza, reprodutora da harmonia íntima com Deus, de expiação das tentações do corpo, macerando este por via de uma contínua flagelação ao nível da alimentação, do repouso (celas de espaço diminuto), dos jejuns, da oração, pela qual intentam libertar a alma. Sem revelar o conjunto de histórias que constituem o romance, não podemos deixar de referir que Fernando Faria expõe, com notável sentido estético, a vivência comunitária dos oito frades que inauguraram o convento, explorando, segundo o ritmo das estações, a sua rotina monacal, adaptada aos espaços ainda hoje visitáveis, bem como desenvolve um conjunto de peripécias que constituem a adaptação de cada um deles à nova existência: o gosto pelos livros, o gosto pela cozinha, o gosto pelo horto, o gosto pela botica, o desespero de um frade, com desfecho trágico, que, antes de professar, deixara voluntariamente morrer um rival no amor. Entre todos, ganham preponderância as dúvidas e incertezas do noviço Agostinho Pimenta, as reminiscências da sua anterior vida profana, a sua paixão (mais carnal do que mental) pela jovem Mécia Pais, aia, mais tarde camareira, de D. Isabel de Bragança, com paço em Azeitão, e, em conjunto com frei Jácome Peregrino, provincial da Ordem dos Arrábidos, protectora de Agostinho, o mais devoto da comunidade. De realçar, igualmente, a visita de dois frades, frei Pedro de Antoria e de frei Lourenço do Cenáculo, à gafaria de S. Pedro, as suas condições espaciais e existenciais e a exploração do tema da doença da lepra, tema raramente representado do romance português, sobretudo no século XVI e em S. Pedro de Penaferrim. O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos abre com a inauguração do convento, com a presença da família real (D. Catarina e o menino D. Sebastião) e encerra no final do primeiro ano, com nova presença régia. Inesperadamente, na inauguração, Damião de Góis discursa, evidenciando a situação religiosa portuguesa comparada com a europeia, e, no encerramento, brilha a presença de D. António Prior do Crato, anunciando, para o leitor, os tormentos de que em breve o reino será acometido, e, quem sabe, prenúncio de um novo romance de Fernando Faria, cujo talento literário não pode restar-se concentrado num único romance, ainda que de evidente qualidade. Fernando Faria, O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, Ed. By the Book, 239 pp., 2015. MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS
O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, primeiro e único romance do sintrense Fernando Faria, publicado em 2015, constitui um belíssimo retrato ficcional da fundação do Convento dos Capuchos, em 1560, sob patronato de D. Álvaro de Castro, proprietário da Quinta da Penha Verde e filho de D. João de Castro, vice-rei da Índia. Com explícita vocação literária, dotado de uma extensíssima amplidão lexical apropriada à cultura Quinhentista, Fernando Faria, dominando os usos e costumes da época, tantos os populares como os da corte, cruza, no seu romance, a vida no ermitério dos Capuchos, durante o seu primeiro ano de existência, com a vida de devoção e penitência de o “Noviço”, isto é, de Agostinho Pimenta ou, como se tornará conhecido na história da literatura portuguesa, frei Agostinho da Cruz. Assistimos, assim, à iniciação de Frei Agostinho da Cruz (da “Cruz” porque o Convento dos Capuchos teve nascimento com a designação de Convento da Santa Cruz), no interior dos franciscanos observantes portugueses, ou Arrábidos, que no século XVI, intentavam, à imitação do impulso inicial de S. Francisco de Assis, trezentos anos antes, restaurar pelo exemplo pessoal o domínio das virtudes de pobreza, humildade e castidade, há muito esquecidas no interior dos conventos, bem como na própria igreja. Os “Capuchos” (porque o hábito compreendia a existência de um capuz que protegia a cabeça da atmosfera gélida dos picos das serras onde se erguiam os conventos) ou Arrábidos (porque fora na serra da Arrábida o primeiro convento dos franciscanos observantes) tornam-se, assim, no início da Idade Moderna, os mais intrépidos defensores de uma vida solitária, de oração e penitência, em harmonia com a natureza, reprodutora da harmonia íntima com Deus, de expiação das tentações do corpo, macerando este por via de uma contínua flagelação ao nível da alimentação, do repouso (celas de espaço diminuto), dos jejuns, da oração, pela qual intentam libertar a alma. Sem revelar o conjunto de histórias que constituem o romance, não podemos deixar de referir que Fernando Faria expõe, com notável sentido estético, a vivência comunitária dos oito frades que inauguraram o convento, explorando, segundo o ritmo das estações, a sua rotina monacal, adaptada aos espaços ainda hoje visitáveis, bem como desenvolve um conjunto de peripécias que constituem a adaptação de cada um deles à nova existência: o gosto pelos livros, o gosto pela cozinha, o gosto pelo horto, o gosto pela botica, o desespero de um frade, com desfecho trágico, que, antes de professar, deixara voluntariamente morrer um rival no amor. Entre todos, ganham preponderância as dúvidas e incertezas do noviço Agostinho Pimenta, as reminiscências da sua anterior vida profana, a sua paixão (mais carnal do que mental) pela jovem Mécia Pais, aia, mais tarde camareira, de D. Isabel de Bragança, com paço em Azeitão, e, em conjunto com frei Jácome Peregrino, provincial da Ordem dos Arrábidos, protectora de Agostinho, o mais devoto da comunidade. De realçar, igualmente, a visita de dois frades, frei Pedro de Antoria e de frei Lourenço do Cenáculo, à gafaria de S. Pedro, as suas condições espaciais e existenciais e a exploração do tema da doença da lepra, tema raramente representado do romance português, sobretudo no século XVI e em S. Pedro de Penaferrim. O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos abre com a inauguração do convento, com a presença da família real (D. Catarina e o menino D. Sebastião) e encerra no final do primeiro ano, com nova presença régia. Inesperadamente, na inauguração, Damião de Góis discursa, evidenciando a situação religiosa portuguesa comparada com a europeia, e, no encerramento, brilha a presença de D. António Prior do Crato, anunciando, para o leitor, os tormentos de que em breve o reino será acometido, e, quem sabe, prenúncio de um novo romance de Fernando Faria, cujo talento literário não pode restar-se concentrado num único romance, ainda que de evidente qualidade. Fernando Faria, O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, Ed. By the Book, 239 pp., 2015. MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS
O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, primeiro e único romance do sintrense Fernando Faria, publicado em 2015, constitui um belíssimo retrato ficcional da fundação do Convento dos Capuchos, em 1560, sob patronato de D. Álvaro de Castro, proprietário da Quinta da Penha Verde e filho de D. João de Castro, vice-rei da Índia. Com explícita vocação literária, dotado de uma extensíssima amplidão lexical apropriada à cultura Quinhentista, Fernando Faria, dominando os usos e costumes da época, tantos os populares como os da corte, cruza, no seu romance, a vida no ermitério dos Capuchos, durante o seu primeiro ano de existência, com a vida de devoção e penitência de o “Noviço”, isto é, de Agostinho Pimenta ou, como se tornará conhecido na história da literatura portuguesa, frei Agostinho da Cruz. Assistimos, assim, à iniciação de Frei Agostinho da Cruz (da “Cruz” porque o Convento dos Capuchos teve nascimento com a designação de Convento da Santa Cruz), no interior dos franciscanos observantes portugueses, ou Arrábidos, que no século XVI, intentavam, à imitação do impulso inicial de S. Francisco de Assis, trezentos anos antes, restaurar pelo exemplo pessoal o domínio das virtudes de pobreza, humildade e castidade, há muito esquecidas no interior dos conventos, bem como na própria igreja. Os “Capuchos” (porque o hábito compreendia a existência de um capuz que protegia a cabeça da atmosfera gélida dos picos das serras onde se erguiam os conventos) ou Arrábidos (porque fora na serra da Arrábida o primeiro convento dos franciscanos observantes) tornam-se, assim, no início da Idade Moderna, os mais intrépidos defensores de uma vida solitária, de oração e penitência, em harmonia com a natureza, reprodutora da harmonia íntima com Deus, de expiação das tentações do corpo, macerando este por via de uma contínua flagelação ao nível da alimentação, do repouso (celas de espaço diminuto), dos jejuns, da oração, pela qual intentam libertar a alma. Sem revelar o conjunto de histórias que constituem o romance, não podemos deixar de referir que Fernando Faria expõe, com notável sentido estético, a vivência comunitária dos oito frades que inauguraram o convento, explorando, segundo o ritmo das estações, a sua rotina monacal, adaptada aos espaços ainda hoje visitáveis, bem como desenvolve um conjunto de peripécias que constituem a adaptação de cada um deles à nova existência: o gosto pelos livros, o gosto pela cozinha, o gosto pelo horto, o gosto pela botica, o desespero de um frade, com desfecho trágico, que, antes de professar, deixara voluntariamente morrer um rival no amor. Entre todos, ganham preponderância as dúvidas e incertezas do noviço Agostinho Pimenta, as reminiscências da sua anterior vida profana, a sua paixão (mais carnal do que mental) pela jovem Mécia Pais, aia, mais tarde camareira, de D. Isabel de Bragança, com paço em Azeitão, e, em conjunto com frei Jácome Peregrino, provincial da Ordem dos Arrábidos, protectora de Agostinho, o mais devoto da comunidade. De realçar, igualmente, a visita de dois frades, frei Pedro de Antoria e de frei Lourenço do Cenáculo, à gafaria de S. Pedro, as suas condições espaciais e existenciais e a exploração do tema da doença da lepra, tema raramente representado do romance português, sobretudo no século XVI e em S. Pedro de Penaferrim. O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos abre com a inauguração do convento, com a presença da família real (D. Catarina e o menino D. Sebastião) e encerra no final do primeiro ano, com nova presença régia. Inesperadamente, na inauguração, Damião de Góis discursa, evidenciando a situação religiosa portuguesa comparada com a europeia, e, no encerramento, brilha a presença de D. António Prior do Crato, anunciando, para o leitor, os tormentos de que em breve o reino será acometido, e, quem sabe, prenúncio de um novo romance de Fernando Faria, cujo talento literário não pode restar-se concentrado num único romance, ainda que de evidente qualidade. Fernando Faria, O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, Ed. By the Book, 239 pp., 2015. MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS
O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, primeiro e único romance do sintrense Fernando Faria, publicado em 2015, constitui um belíssimo retrato ficcional da fundação do Convento dos Capuchos, em 1560, sob patronato de D. Álvaro de Castro, proprietário da Quinta da Penha Verde e filho de D. João de Castro, vice-rei da Índia. Com explícita vocação literária, dotado de uma extensíssima amplidão lexical apropriada à cultura Quinhentista, Fernando Faria, dominando os usos e costumes da época, tantos os populares como os da corte, cruza, no seu romance, a vida no ermitério dos Capuchos, durante o seu primeiro ano de existência, com a vida de devoção e penitência de o “Noviço”, isto é, de Agostinho Pimenta ou, como se tornará conhecido na história da literatura portuguesa, frei Agostinho da Cruz. Assistimos, assim, à iniciação de Frei Agostinho da Cruz (da “Cruz” porque o Convento dos Capuchos teve nascimento com a designação de Convento da Santa Cruz), no interior dos franciscanos observantes portugueses, ou Arrábidos, que no século XVI, intentavam, à imitação do impulso inicial de S. Francisco de Assis, trezentos anos antes, restaurar pelo exemplo pessoal o domínio das virtudes de pobreza, humildade e castidade, há muito esquecidas no interior dos conventos, bem como na própria igreja. Os “Capuchos” (porque o hábito compreendia a existência de um capuz que protegia a cabeça da atmosfera gélida dos picos das serras onde se erguiam os conventos) ou Arrábidos (porque fora na serra da Arrábida o primeiro convento dos franciscanos observantes) tornam-se, assim, no início da Idade Moderna, os mais intrépidos defensores de uma vida solitária, de oração e penitência, em harmonia com a natureza, reprodutora da harmonia íntima com Deus, de expiação das tentações do corpo, macerando este por via de uma contínua flagelação ao nível da alimentação, do repouso (celas de espaço diminuto), dos jejuns, da oração, pela qual intentam libertar a alma. Sem revelar o conjunto de histórias que constituem o romance, não podemos deixar de referir que Fernando Faria expõe, com notável sentido estético, a vivência comunitária dos oito frades que inauguraram o convento, explorando, segundo o ritmo das estações, a sua rotina monacal, adaptada aos espaços ainda hoje visitáveis, bem como desenvolve um conjunto de peripécias que constituem a adaptação de cada um deles à nova existência: o gosto pelos livros, o gosto pela cozinha, o gosto pelo horto, o gosto pela botica, o desespero de um frade, com desfecho trágico, que, antes de professar, deixara voluntariamente morrer um rival no amor. Entre todos, ganham preponderância as dúvidas e incertezas do noviço Agostinho Pimenta, as reminiscências da sua anterior vida profana, a sua paixão (mais carnal do que mental) pela jovem Mécia Pais, aia, mais tarde camareira, de D. Isabel de Bragança, com paço em Azeitão, e, em conjunto com frei Jácome Peregrino, provincial da Ordem dos Arrábidos, protectora de Agostinho, o mais devoto da comunidade. De realçar, igualmente, a visita de dois frades, frei Pedro de Antoria e de frei Lourenço do Cenáculo, à gafaria de S. Pedro, as suas condições espaciais e existenciais e a exploração do tema da doença da lepra, tema raramente representado do romance português, sobretudo no século XVI e em S. Pedro de Penaferrim. O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos abre com a inauguração do convento, com a presença da família real (D. Catarina e o menino D. Sebastião) e encerra no final do primeiro ano, com nova presença régia. Inesperadamente, na inauguração, Damião de Góis discursa, evidenciando a situação religiosa portuguesa comparada com a europeia, e, no encerramento, brilha a presença de D. António Prior do Crato, anunciando, para o leitor, os tormentos de que em breve o reino será acometido, e, quem sabe, prenúncio de um novo romance de Fernando Faria, cujo talento literário não pode restar-se concentrado num único romance, ainda que de evidente qualidade. Fernando Faria, O Noviço. Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, Ed. By the Book, 239 pp., 2015. MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS