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Luís Freitas "LIBERDADE TOTAL"
EDUARDO SÉRGIO O OLHO DA LIBÉLULA FERNANDO MORAIS GOMES MISSA DAS DEZ EM S.MARTINHO FILOMENA MARONA BEJA A SENHORA INFANTA EM SINTRA RAQUEL OCHOA BOM DIA OU GOOD MORNING? GONÇALO MOLEIRO "A ARQUITECTURA E O MODO COMO QUEREMOS VIVER" JOÃO RODIL CHRISTOPHER ISHERWOOD E A GERAÇÃO AUDEN EM SINTRA MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS GALOPIM DE CARVALHO PEGADAS NA PRAIA GRANDE DO RODÍZIO LUÍS FREITAS LIBERDADE TOTAL Escrevo este artigo com base na minha experiência de muitos meses e quilómetros andados a fazer o Caminho de Santiago – rota francesa, e ainda uma parte do Caminho Central Português. Deixem-me que vos diga que o corpo e a alma chegam sempre renovados. Mas nem tudo é um céu infinito, convém respeitar algumas regras, a começar pelo nosso corpo. Só assim a aventura chega a porto seguro. Quando decidimos fazer uma caminhada, como o Caminho de Santiago, há que começar o quanto antes a preparar a deslocação com um treino físico adequado. Realizando uma preparação equilibrada poderá desfrutar melhor do muito que a peregrinação lhe pode dar. A filosofia do Caminho, os seus aspectos espirituais, culturais e as belezas naturais não devem deixar de ser aproveitados por motivos de cansaço, falta de informação ou problemas físicos decorrentes de uma má preparação. Fazer o Caminho de Santiago não é fazer montanhismo! Ter experiência em montanhismo ajuda, porém não é necessário tê-la para fazer o Caminho. Procure aprender alguma coisa sobre caminhadas, antes de comprar o equipamento e de começar a andar. Foi o que fiz, depois de me aconselhar. Comece o treino realizando caminhadas curtas, sem exagerar nas distâncias. Nada de se meter a percorrer dezenas de quilómetros num dia, comece com uns cinco ou seis e vá aumentando o ritmo. Com o tempo, o ideal seria percorrer a quilometragem média das etapas do Caminho (20 a 30 km), durante três ou quatro dias seguidos, até a data do embarque para a Espanha, ou mesmo em Portugal, se for o caso. A melhor maneira de preparar-se, é fazer caminhadas com mochilas relativamente leves, por percursos mais curtos e, progressivamente, ir aumentando o peso e a distância. Treine utilizando diferentes tipos de pisos, pois no Caminho vai andar em trilhos de diversos pisos. O asfalto e o cascalho (pedras britadas) são os piores tipos de terreno para um caminhante. São duros e causam maiores dores musculares. Quando estiver próximo ao dia da partida e já houver adquirido todo o seu equipamento, realize caminhada com a mochila carregada com aquilo que você considera fundamental levar. Pense que o imprescindível não seja bem o que pensa, apenas acontece quando você tiver a dura noção do peso. As botas também devem ser amaciadas. Atenção: usar botos (ou ténis) novos, são mau exemplo para caminhadas de longa distância. Aproveite para usar as suas roupas de caminhada, a fim de evitar surpresas desagradáveis por inadequação de equipamento. Pode usar roupas usadas, mas leves. Nas lojas de desporto existem várias ofertas no que diz respeito a shirts e pólos térmicos bem leves, e que fazem a diferença. Caso não tenha a oportunidade de se preparar fisicamente para percorrer o Caminho, será o próprio Caminho o seu campo de treino. Não se ponha a lamentar, vai sentir isso no dia-a-dia. A melhor coisa é preparar a mente, factor não menos essencial que o preparo físico resulte. Para tanto, aprenda a ouvir o seu corpo, a sentir quais os seus limites e comece devagar. Recomenda-se, também, praticar alguns exercícios de alongamento antes e depois de caminhar. Antes de caminhar é importante um aquecimento do corpo através da realização de alongamentos. Para o peregrino, esta prática pode e deve ser realizada diariamente, antes, durante e depois da caminhada. Na preparação e principalmente no Caminho. Pode escolher alguns movimentos, mais específicos, que alonguem, principalmente a musculatura anterior e posterior das pernas, pois é nesta região que o peregrino sofre uma sobrecarga de trabalho, portanto dê especial atenção às suas pernas. Algumas dicas importantes · Faça os alongamentos dentro do seu limite e sem sentir dor; · Procure relaxar, enquanto faz os alongamentos com suavidade; · Mantenha sua posição de alongamento por, pelo menos, 20 segundos e sem fazer balanceio; · Vá avançando lentamente sem se comparar com outras pessoas, procure atingir os seus objectivos devagar; · Respire naturalmente. A respiração é uma grande aliada do trabalho de alongamento e ela deve ser o mais natural possível; · Não se esqueça de alongar os diferentes grupos musculares. Recomendações especiais O nosso corpo sente muito quando caminhamos com as mochilas, por isso recomendamos que as mesmas não devam exceder de 8 a 10 quilos, algo semelhante a não exceder 10% do nosso peso. É necessário, não somente distribuir o peso dentro da mochila, como também treinar e preparar a musculatura lombar e a da chamada cintura escapular, especialmente devido ao nosso caminho que envolve subidas e descidas. Normalmente, a média de tempo que um peregrino leva para caminhar desde a fronteira com a França até Santiago é de 28 a 35 dias. Não adianta querer ignorar que o tempo disponível é o seu para tomar a CAMINHADA numa operação aritmética onde o resultado é um qualquer número absurdo de quilómetros por dia. A coisa realmente não funciona dessa forma. Ter capacidade para caminhar uma determinada distância em apenas um dia ou dois, na sua cidade, é muito diferente de percorrer esta mesma distância seguidamente durante todos os dias, carregando uma mochila nas costas, até completar cerca de 800 km. Por isso pode planear o seu tempo de caminhada. Eu defini à partida que as minhas etapas/épocas se desenrolavam na casa dos 12 a 14 dias, equivalendo entre os 200 e 270 KM. Além de que importa valorizar o tempo de viagem até o inicio do Caminho e o tempo de volta, sem esquecer que você não conseguirá chegar a Compostela e regressar a casa com calma logo no mesmo dia. Reserve um tempo também para desfrutar de sua realização e de uma das cidades mais fantásticas de todo o mundo. O melhor para quem não dispõe de tempo necessário para o percurso desde a fronteira é começar a caminhar de um ponto mais próximo de Santiago. Há muitos espanhóis que partem de Sarria, que dista 110 Km de Santiago, são 5 a 6 dias caminhando e com direito a receber a tão desejada Compustela. Bom, com algumas batotas pelo meio, mas isso são outras histórias que não cabem aqui neste momento. As lições do Caminho de Santiago estão vividas geralmente nas pequenas coisas. Surgem como a luz que anuncia a chegada de mais um dia, ensinam velhos segredos a quem observa o voo dos pássaros ou despertam a consciência daqueles que contemplam o trabalho dos pastores. O poder do peregrino não está no domínio da distância, mas na comunhão com tudo aquilo que o cerca. Vamos por partes: como caminhar Uma pergunta que sempre surge é: "quantas horas de caminhada devem ser feitas diariamente?” Há duas regras básicas a considerar: 1 - Não andar rápido demais: para podermos efectuar o caminho percebendo o que acontece ao seu redor tão diferente do dia-a-dia nas cidades, em que mal temos tempo para pensar em nós mesmos, o caminho é lindo e merece ser apreciado; 2 - Nem lento demais: lembre-se que tem um objectivo pela frente. Devagar em demasia pode desgastar o seu entusiasmo e pode quebrar o seu ritmo de andar. Entretanto a escolha é sua. A média da grande maioria dos peregrinos com quem fui falando apontava para uma média de 5 a 8 horas por dia, onde se incluía duas ou três paragens para descansar, contemplar a natureza e alguns monumentos históricos. O caminho dá-lhe a oportunidade de sentir verdadeiramente a natureza: você é acordado pelo sol e não pelo relógio. Come quando sente fome, e não em horários pré-determinados. Caminha o tanto que o corpo deixa e dorme quando e onde se pode. Nos dias de muito calor, é recomendado que comece a jornada o mais cedo possível (6 ou 6 e meia, os albergues têm que estar vazios até às oito da matina o mais tarde) a fim de evitar as horas mais tórridas, além de dar oportunidade de chegar mais cedo ao albergue e ver dobrada as hipóteses de ter uma cama /beliche vazia, bem localizada e um banheiro ainda limpo. Dessa forma irá permitir que tenha tempo de lavar a sua roupa tranquilamente. O Caminho está lá e pertence a quem caminha. Qualquer um pode afivelar a mochila e botar o pé na estrada. Se o seu sentido de caminhar é espiritual, você poderá achar uma maneira que o coloque nos trilhos, que o ajuda a buscar. É preciso disciplina e dedicação e os benefícios só aparecem com a prática constante, como na ginástica. Antes de mais nada é preciso ambientar-se com a rota. Ler sobre a história do Caminho e das peregrinações é importante. Conhecer a experiência de outros peregrinos também pode ajudar bastante. Mas lembre-se: o motivo que o leva a percorrer o Caminho é pessoal. Não existe um motivo certo ou errado, adequado ou não, existe o seu motivo, aquele que é o verdadeiro para si. Há os que fazem apenas pelo prazer de caminhar, outros por convicções religiosas e/ou por interesses artísticos e históricos existente ao longo do caminho e alguns para realizar uma promessa. Quanto melhor o peregrino se prepara para a viagem, mais perto estará do próprio motivo que o leva a realizá-la. Bem informados, nos sentimos parte da grande cadeia de peregrinos que nos precederam e realizaram plenamente o sonho de percorrer o Caminho de Santiago de Compostela. Um guia do Caminho, com mapas e distâncias precisas é necessário e indispensável. Enquanto se prepara para a viagem, entre em contacto com as "Associações do Caminho de Santiago" (em Portugal procure a Via Lusitana, associação portuguesa que melhor divulga e apoia quem pretende realizar este projecto) e informe-se sobre os percursos mais indicados e onde encontrá-los no nosso pais. As etapas normalmente percorridas pelos peregrinos são de 20 a 30 km por dia. Porém, no início da viagem, até que você se adapte e encontre seu ritmo adequado, convém serem programadas etapas mais curtas. Após os primeiros dias de caminhada, você já poderá ir aumentando a distância percorrida em cada dia, pois já estará ouvindo melhor o que o seu corpo tem a lhe dizer. Como dizia em tom de conselho Madame Debrill, então responsável pela recepção dos peregrinos em Saint Jean Pied-de-Port há mais de trinta anos, "O peregrino caminha quanto pode e não quanto quer". Programe também alguns dias de descanso, mas não muitos. É melhor fazer etapas mais curtas, coincidindo com os lugares que queira visitar com mais calma e descansar sem perder o ritmo. Consulte a lista de albergues de peregrinos actualizados caso queira utilizá-los. Essa lista está disponível através dos sítios de internet, contendo ainda uma série de pensões e hotéis existentes ao longo do Caminho. Porém informamos, os albergues são exclusivamente para os que peregrinam á pé ou de bicicleta, sem fazer etapas de carro. Não se pode fazer reservas e o acesso só é permitido mediante a apresentação da "Credencial del Peregrino". Os grupos de peregrinos, com mais de 10 pessoas, devem procurar outros alojamentos fora dos albergues habituais, os quais não comportam um número grande de pessoas. Tais grupos, normalmente auxiliados por carros de apoio que carregam as bagagens, têm mais meios de hospedagem ao seu alcance. Não é lógico que ocupem todo o refúgio e deixem sem lugar para dormir peregrinos que carregam na mochila todo o seu equipamento. A peregrinação a pé está ao alcance de qualquer pessoa, mesmo que não seja um atleta, sempre que se saiba dosear o esforço em função da idade e das possibilidades físicas. É aconselhável treinar realizando caminhadas cada vez mais longas na sua terra natal e, se possível, com a mochila carregada daquilo que considera "imprescindível". Assim, você compreenderá que quando o "imprescindível" pesa demasiadamente, ele deixa de ser realmente imprescindível. »
Luís Freitas "LIBERDADE TOTAL"
Escrevo este artigo com base na minha experiência de muitos meses e quilómetros andados a fazer o Caminho de Santiago – rota francesa, e ainda uma parte do Caminho Central Português. Deixem-me que vos diga que o corpo e a alma chegam sempre renovados. Mas nem tudo é um céu infinito, convém respeitar algumas regras, a começar pelo nosso corpo. Só assim a aventura chega a porto seguro. Quando decidimos fazer uma caminhada, como o Caminho de Santiago, há que começar o quanto antes a preparar a deslocação com um treino físico adequado. Realizando uma preparação equilibrada poderá desfrutar melhor do muito que a peregrinação lhe pode dar. A filosofia do Caminho, os seus aspectos espirituais, culturais e as belezas naturais não devem deixar de ser aproveitados por motivos de cansaço, falta de informação ou problemas físicos decorrentes de uma má preparação. Fazer o Caminho de Santiago não é fazer montanhismo! Ter experiência em montanhismo ajuda, porém não é necessário tê-la para fazer o Caminho. Procure aprender alguma coisa sobre caminhadas, antes de comprar o equipamento e de começar a andar. Foi o que fiz, depois de me aconselhar. Comece o treino realizando caminhadas curtas, sem exagerar nas distâncias. Nada de se meter a percorrer dezenas de quilómetros num dia, comece com uns cinco ou seis e vá aumentando o ritmo. Com o tempo, o ideal seria percorrer a quilometragem média das etapas do Caminho (20 a 30 km), durante três ou quatro dias seguidos, até a data do embarque para a Espanha, ou mesmo em Portugal, se for o caso. A melhor maneira de preparar-se, é fazer caminhadas com mochilas relativamente leves, por percursos mais curtos e, progressivamente, ir aumentando o peso e a distância. Treine utilizando diferentes tipos de pisos, pois no Caminho vai andar em trilhos de diversos pisos. O asfalto e o cascalho (pedras britadas) são os piores tipos de terreno para um caminhante. São duros e causam maiores dores musculares. Quando estiver próximo ao dia da partida e já houver adquirido todo o seu equipamento, realize caminhada com a mochila carregada com aquilo que você considera fundamental levar. Pense que o imprescindível não seja bem o que pensa, apenas acontece quando você tiver a dura noção do peso. As botas também devem ser amaciadas. Atenção: usar botos (ou ténis) novos, são mau exemplo para caminhadas de longa distância. Aproveite para usar as suas roupas de caminhada, a fim de evitar surpresas desagradáveis por inadequação de equipamento. Pode usar roupas usadas, mas leves. Nas lojas de desporto existem várias ofertas no que diz respeito a shirts e pólos térmicos bem leves, e que fazem a diferença. Caso não tenha a oportunidade de se preparar fisicamente para percorrer o Caminho, será o próprio Caminho o seu campo de treino. Não se ponha a lamentar, vai sentir isso no dia-a-dia. A melhor coisa é preparar a mente, factor não menos essencial que o preparo físico resulte. Para tanto, aprenda a ouvir o seu corpo, a sentir quais os seus limites e comece devagar. Recomenda-se, também, praticar alguns exercícios de alongamento antes e depois de caminhar. Antes de caminhar é importante um aquecimento do corpo através da realização de alongamentos. Para o peregrino, esta prática pode e deve ser realizada diariamente, antes, durante e depois da caminhada. Na preparação e principalmente no Caminho. Pode escolher alguns movimentos, mais específicos, que alonguem, principalmente a musculatura anterior e posterior das pernas, pois é nesta região que o peregrino sofre uma sobrecarga de trabalho, portanto dê especial atenção às suas pernas. Algumas dicas importantes · Faça os alongamentos dentro do seu limite e sem sentir dor; · Procure relaxar, enquanto faz os alongamentos com suavidade; · Mantenha sua posição de alongamento por, pelo menos, 20 segundos e sem fazer balanceio; · Vá avançando lentamente sem se comparar com outras pessoas, procure atingir os seus objectivos devagar; · Respire naturalmente. A respiração é uma grande aliada do trabalho de alongamento e ela deve ser o mais natural possível; · Não se esqueça de alongar os diferentes grupos musculares. Recomendações especiais O nosso corpo sente muito quando caminhamos com as mochilas, por isso recomendamos que as mesmas não devam exceder de 8 a 10 quilos, algo semelhante a não exceder 10% do nosso peso. É necessário, não somente distribuir o peso dentro da mochila, como também treinar e preparar a musculatura lombar e a da chamada cintura escapular, especialmente devido ao nosso caminho que envolve subidas e descidas. Normalmente, a média de tempo que um peregrino leva para caminhar desde a fronteira com a França até Santiago é de 28 a 35 dias. Não adianta querer ignorar que o tempo disponível é o seu para tomar a CAMINHADA numa operação aritmética onde o resultado é um qualquer número absurdo de quilómetros por dia. A coisa realmente não funciona dessa forma. Ter capacidade para caminhar uma determinada distância em apenas um dia ou dois, na sua cidade, é muito diferente de percorrer esta mesma distância seguidamente durante todos os dias, carregando uma mochila nas costas, até completar cerca de 800 km. Por isso pode planear o seu tempo de caminhada. Eu defini à partida que as minhas etapas/épocas se desenrolavam na casa dos 12 a 14 dias, equivalendo entre os 200 e 270 KM. Além de que importa valorizar o tempo de viagem até o inicio do Caminho e o tempo de volta, sem esquecer que você não conseguirá chegar a Compostela e regressar a casa com calma logo no mesmo dia. Reserve um tempo também para desfrutar de sua realização e de uma das cidades mais fantásticas de todo o mundo. O melhor para quem não dispõe de tempo necessário para o percurso desde a fronteira é começar a caminhar de um ponto mais próximo de Santiago. Há muitos espanhóis que partem de Sarria, que dista 110 Km de Santiago, são 5 a 6 dias caminhando e com direito a receber a tão desejada Compustela. Bom, com algumas batotas pelo meio, mas isso são outras histórias que não cabem aqui neste momento. As lições do Caminho de Santiago estão vividas geralmente nas pequenas coisas. Surgem como a luz que anuncia a chegada de mais um dia, ensinam velhos segredos a quem observa o voo dos pássaros ou despertam a consciência daqueles que contemplam o trabalho dos pastores. O poder do peregrino não está no domínio da distância, mas na comunhão com tudo aquilo que o cerca. Vamos por partes: como caminhar Uma pergunta que sempre surge é: "quantas horas de caminhada devem ser feitas diariamente?” Há duas regras básicas a considerar: 1 - Não andar rápido demais: para podermos efectuar o caminho percebendo o que acontece ao seu redor tão diferente do dia-a-dia nas cidades, em que mal temos tempo para pensar em nós mesmos, o caminho é lindo e merece ser apreciado; 2 - Nem lento demais: lembre-se que tem um objectivo pela frente. Devagar em demasia pode desgastar o seu entusiasmo e pode quebrar o seu ritmo de andar. Entretanto a escolha é sua. A média da grande maioria dos peregrinos com quem fui falando apontava para uma média de 5 a 8 horas por dia, onde se incluía duas ou três paragens para descansar, contemplar a natureza e alguns monumentos históricos. O caminho dá-lhe a oportunidade de sentir verdadeiramente a natureza: você é acordado pelo sol e não pelo relógio. Come quando sente fome, e não em horários pré-determinados. Caminha o tanto que o corpo deixa e dorme quando e onde se pode. Nos dias de muito calor, é recomendado que comece a jornada o mais cedo possível (6 ou 6 e meia, os albergues têm que estar vazios até às oito da matina o mais tarde) a fim de evitar as horas mais tórridas, além de dar oportunidade de chegar mais cedo ao albergue e ver dobrada as hipóteses de ter uma cama /beliche vazia, bem localizada e um banheiro ainda limpo. Dessa forma irá permitir que tenha tempo de lavar a sua roupa tranquilamente. O Caminho está lá e pertence a quem caminha. Qualquer um pode afivelar a mochila e botar o pé na estrada. Se o seu sentido de caminhar é espiritual, você poderá achar uma maneira que o coloque nos trilhos, que o ajuda a buscar. É preciso disciplina e dedicação e os benefícios só aparecem com a prática constante, como na ginástica. Antes de mais nada é preciso ambientar-se com a rota. Ler sobre a história do Caminho e das peregrinações é importante. Conhecer a experiência de outros peregrinos também pode ajudar bastante. Mas lembre-se: o motivo que o leva a percorrer o Caminho é pessoal. Não existe um motivo certo ou errado, adequado ou não, existe o seu motivo, aquele que é o verdadeiro para si. Há os que fazem apenas pelo prazer de caminhar, outros por convicções religiosas e/ou por interesses artísticos e históricos existente ao longo do caminho e alguns para realizar uma promessa. Quanto melhor o peregrino se prepara para a viagem, mais perto estará do próprio motivo que o leva a realizá-la. Bem informados, nos sentimos parte da grande cadeia de peregrinos que nos precederam e realizaram plenamente o sonho de percorrer o Caminho de Santiago de Compostela. Um guia do Caminho, com mapas e distâncias precisas é necessário e indispensável. Enquanto se prepara para a viagem, entre em contacto com as "Associações do Caminho de Santiago" (em Portugal procure a Via Lusitana, associação portuguesa que melhor divulga e apoia quem pretende realizar este projecto) e informe-se sobre os percursos mais indicados e onde encontrá-los no nosso pais. As etapas normalmente percorridas pelos peregrinos são de 20 a 30 km por dia. Porém, no início da viagem, até que você se adapte e encontre seu ritmo adequado, convém serem programadas etapas mais curtas. Após os primeiros dias de caminhada, você já poderá ir aumentando a distância percorrida em cada dia, pois já estará ouvindo melhor o que o seu corpo tem a lhe dizer. Como dizia em tom de conselho Madame Debrill, então responsável pela recepção dos peregrinos em Saint Jean Pied-de-Port há mais de trinta anos, "O peregrino caminha quanto pode e não quanto quer". Programe também alguns dias de descanso, mas não muitos. É melhor fazer etapas mais curtas, coincidindo com os lugares que queira visitar com mais calma e descansar sem perder o ritmo. Consulte a lista de albergues de peregrinos actualizados caso queira utilizá-los. Essa lista está disponível através dos sítios de internet, contendo ainda uma série de pensões e hotéis existentes ao longo do Caminho. Porém informamos, os albergues são exclusivamente para os que peregrinam á pé ou de bicicleta, sem fazer etapas de carro. Não se pode fazer reservas e o acesso só é permitido mediante a apresentação da "Credencial del Peregrino". Os grupos de peregrinos, com mais de 10 pessoas, devem procurar outros alojamentos fora dos albergues habituais, os quais não comportam um número grande de pessoas. Tais grupos, normalmente auxiliados por carros de apoio que carregam as bagagens, têm mais meios de hospedagem ao seu alcance. Não é lógico que ocupem todo o refúgio e deixem sem lugar para dormir peregrinos que carregam na mochila todo o seu equipamento. A peregrinação a pé está ao alcance de qualquer pessoa, mesmo que não seja um atleta, sempre que se saiba dosear o esforço em função da idade e das possibilidades físicas. É aconselhável treinar realizando caminhadas cada vez mais longas na sua terra natal e, se possível, com a mochila carregada daquilo que considera "imprescindível". Assim, você compreenderá que quando o "imprescindível" pesa demasiadamente, ele deixa de ser realmente imprescindível. »
Luís Freitas "LIBERDADE TOTAL"
Escrevo este artigo com base na minha experiência de muitos meses e quilómetros andados a fazer o Caminho de Santiago – rota francesa, e ainda uma parte do Caminho Central Português. Deixem-me que vos diga que o corpo e a alma chegam sempre renovados. Mas nem tudo é um céu infinito, convém respeitar algumas regras, a começar pelo nosso corpo. Só assim a aventura chega a porto seguro. Quando decidimos fazer uma caminhada, como o Caminho de Santiago, há que começar o quanto antes a preparar a deslocação com um treino físico adequado. Realizando uma preparação equilibrada poderá desfrutar melhor do muito que a peregrinação lhe pode dar. A filosofia do Caminho, os seus aspectos espirituais, culturais e as belezas naturais não devem deixar de ser aproveitados por motivos de cansaço, falta de informação ou problemas físicos decorrentes de uma má preparação. Fazer o Caminho de Santiago não é fazer montanhismo! Ter experiência em montanhismo ajuda, porém não é necessário tê-la para fazer o Caminho. Procure aprender alguma coisa sobre caminhadas, antes de comprar o equipamento e de começar a andar. Foi o que fiz, depois de me aconselhar. Comece o treino realizando caminhadas curtas, sem exagerar nas distâncias. Nada de se meter a percorrer dezenas de quilómetros num dia, comece com uns cinco ou seis e vá aumentando o ritmo. Com o tempo, o ideal seria percorrer a quilometragem média das etapas do Caminho (20 a 30 km), durante três ou quatro dias seguidos, até a data do embarque para a Espanha, ou mesmo em Portugal, se for o caso. A melhor maneira de preparar-se, é fazer caminhadas com mochilas relativamente leves, por percursos mais curtos e, progressivamente, ir aumentando o peso e a distância. Treine utilizando diferentes tipos de pisos, pois no Caminho vai andar em trilhos de diversos pisos. O asfalto e o cascalho (pedras britadas) são os piores tipos de terreno para um caminhante. São duros e causam maiores dores musculares. Quando estiver próximo ao dia da partida e já houver adquirido todo o seu equipamento, realize caminhada com a mochila carregada com aquilo que você considera fundamental levar. Pense que o imprescindível não seja bem o que pensa, apenas acontece quando você tiver a dura noção do peso. As botas também devem ser amaciadas. Atenção: usar botos (ou ténis) novos, são mau exemplo para caminhadas de longa distância. Aproveite para usar as suas roupas de caminhada, a fim de evitar surpresas desagradáveis por inadequação de equipamento. Pode usar roupas usadas, mas leves. Nas lojas de desporto existem várias ofertas no que diz respeito a shirts e pólos térmicos bem leves, e que fazem a diferença. Caso não tenha a oportunidade de se preparar fisicamente para percorrer o Caminho, será o próprio Caminho o seu campo de treino. Não se ponha a lamentar, vai sentir isso no dia-a-dia. A melhor coisa é preparar a mente, factor não menos essencial que o preparo físico resulte. Para tanto, aprenda a ouvir o seu corpo, a sentir quais os seus limites e comece devagar. Recomenda-se, também, praticar alguns exercícios de alongamento antes e depois de caminhar. Antes de caminhar é importante um aquecimento do corpo através da realização de alongamentos. Para o peregrino, esta prática pode e deve ser realizada diariamente, antes, durante e depois da caminhada. Na preparação e principalmente no Caminho. Pode escolher alguns movimentos, mais específicos, que alonguem, principalmente a musculatura anterior e posterior das pernas, pois é nesta região que o peregrino sofre uma sobrecarga de trabalho, portanto dê especial atenção às suas pernas. Algumas dicas importantes · Faça os alongamentos dentro do seu limite e sem sentir dor; · Procure relaxar, enquanto faz os alongamentos com suavidade; · Mantenha sua posição de alongamento por, pelo menos, 20 segundos e sem fazer balanceio; · Vá avançando lentamente sem se comparar com outras pessoas, procure atingir os seus objectivos devagar; · Respire naturalmente. A respiração é uma grande aliada do trabalho de alongamento e ela deve ser o mais natural possível; · Não se esqueça de alongar os diferentes grupos musculares. Recomendações especiais O nosso corpo sente muito quando caminhamos com as mochilas, por isso recomendamos que as mesmas não devam exceder de 8 a 10 quilos, algo semelhante a não exceder 10% do nosso peso. É necessário, não somente distribuir o peso dentro da mochila, como também treinar e preparar a musculatura lombar e a da chamada cintura escapular, especialmente devido ao nosso caminho que envolve subidas e descidas. Normalmente, a média de tempo que um peregrino leva para caminhar desde a fronteira com a França até Santiago é de 28 a 35 dias. Não adianta querer ignorar que o tempo disponível é o seu para tomar a CAMINHADA numa operação aritmética onde o resultado é um qualquer número absurdo de quilómetros por dia. A coisa realmente não funciona dessa forma. Ter capacidade para caminhar uma determinada distância em apenas um dia ou dois, na sua cidade, é muito diferente de percorrer esta mesma distância seguidamente durante todos os dias, carregando uma mochila nas costas, até completar cerca de 800 km. Por isso pode planear o seu tempo de caminhada. Eu defini à partida que as minhas etapas/épocas se desenrolavam na casa dos 12 a 14 dias, equivalendo entre os 200 e 270 KM. Além de que importa valorizar o tempo de viagem até o inicio do Caminho e o tempo de volta, sem esquecer que você não conseguirá chegar a Compostela e regressar a casa com calma logo no mesmo dia. Reserve um tempo também para desfrutar de sua realização e de uma das cidades mais fantásticas de todo o mundo. O melhor para quem não dispõe de tempo necessário para o percurso desde a fronteira é começar a caminhar de um ponto mais próximo de Santiago. Há muitos espanhóis que partem de Sarria, que dista 110 Km de Santiago, são 5 a 6 dias caminhando e com direito a receber a tão desejada Compustela. Bom, com algumas batotas pelo meio, mas isso são outras histórias que não cabem aqui neste momento. As lições do Caminho de Santiago estão vividas geralmente nas pequenas coisas. Surgem como a luz que anuncia a chegada de mais um dia, ensinam velhos segredos a quem observa o voo dos pássaros ou despertam a consciência daqueles que contemplam o trabalho dos pastores. O poder do peregrino não está no domínio da distância, mas na comunhão com tudo aquilo que o cerca. Vamos por partes: como caminhar Uma pergunta que sempre surge é: "quantas horas de caminhada devem ser feitas diariamente?” Há duas regras básicas a considerar: 1 - Não andar rápido demais: para podermos efectuar o caminho percebendo o que acontece ao seu redor tão diferente do dia-a-dia nas cidades, em que mal temos tempo para pensar em nós mesmos, o caminho é lindo e merece ser apreciado; 2 - Nem lento demais: lembre-se que tem um objectivo pela frente. Devagar em demasia pode desgastar o seu entusiasmo e pode quebrar o seu ritmo de andar. Entretanto a escolha é sua. A média da grande maioria dos peregrinos com quem fui falando apontava para uma média de 5 a 8 horas por dia, onde se incluía duas ou três paragens para descansar, contemplar a natureza e alguns monumentos históricos. O caminho dá-lhe a oportunidade de sentir verdadeiramente a natureza: você é acordado pelo sol e não pelo relógio. Come quando sente fome, e não em horários pré-determinados. Caminha o tanto que o corpo deixa e dorme quando e onde se pode. Nos dias de muito calor, é recomendado que comece a jornada o mais cedo possível (6 ou 6 e meia, os albergues têm que estar vazios até às oito da matina o mais tarde) a fim de evitar as horas mais tórridas, além de dar oportunidade de chegar mais cedo ao albergue e ver dobrada as hipóteses de ter uma cama /beliche vazia, bem localizada e um banheiro ainda limpo. Dessa forma irá permitir que tenha tempo de lavar a sua roupa tranquilamente. O Caminho está lá e pertence a quem caminha. Qualquer um pode afivelar a mochila e botar o pé na estrada. Se o seu sentido de caminhar é espiritual, você poderá achar uma maneira que o coloque nos trilhos, que o ajuda a buscar. É preciso disciplina e dedicação e os benefícios só aparecem com a prática constante, como na ginástica. Antes de mais nada é preciso ambientar-se com a rota. Ler sobre a história do Caminho e das peregrinações é importante. Conhecer a experiência de outros peregrinos também pode ajudar bastante. Mas lembre-se: o motivo que o leva a percorrer o Caminho é pessoal. Não existe um motivo certo ou errado, adequado ou não, existe o seu motivo, aquele que é o verdadeiro para si. Há os que fazem apenas pelo prazer de caminhar, outros por convicções religiosas e/ou por interesses artísticos e históricos existente ao longo do caminho e alguns para realizar uma promessa. Quanto melhor o peregrino se prepara para a viagem, mais perto estará do próprio motivo que o leva a realizá-la. Bem informados, nos sentimos parte da grande cadeia de peregrinos que nos precederam e realizaram plenamente o sonho de percorrer o Caminho de Santiago de Compostela. Um guia do Caminho, com mapas e distâncias precisas é necessário e indispensável. Enquanto se prepara para a viagem, entre em contacto com as "Associações do Caminho de Santiago" (em Portugal procure a Via Lusitana, associação portuguesa que melhor divulga e apoia quem pretende realizar este projecto) e informe-se sobre os percursos mais indicados e onde encontrá-los no nosso pais. As etapas normalmente percorridas pelos peregrinos são de 20 a 30 km por dia. Porém, no início da viagem, até que você se adapte e encontre seu ritmo adequado, convém serem programadas etapas mais curtas. Após os primeiros dias de caminhada, você já poderá ir aumentando a distância percorrida em cada dia, pois já estará ouvindo melhor o que o seu corpo tem a lhe dizer. Como dizia em tom de conselho Madame Debrill, então responsável pela recepção dos peregrinos em Saint Jean Pied-de-Port há mais de trinta anos, "O peregrino caminha quanto pode e não quanto quer". Programe também alguns dias de descanso, mas não muitos. É melhor fazer etapas mais curtas, coincidindo com os lugares que queira visitar com mais calma e descansar sem perder o ritmo. Consulte a lista de albergues de peregrinos actualizados caso queira utilizá-los. Essa lista está disponível através dos sítios de internet, contendo ainda uma série de pensões e hotéis existentes ao longo do Caminho. Porém informamos, os albergues são exclusivamente para os que peregrinam á pé ou de bicicleta, sem fazer etapas de carro. Não se pode fazer reservas e o acesso só é permitido mediante a apresentação da "Credencial del Peregrino". Os grupos de peregrinos, com mais de 10 pessoas, devem procurar outros alojamentos fora dos albergues habituais, os quais não comportam um número grande de pessoas. Tais grupos, normalmente auxiliados por carros de apoio que carregam as bagagens, têm mais meios de hospedagem ao seu alcance. Não é lógico que ocupem todo o refúgio e deixem sem lugar para dormir peregrinos que carregam na mochila todo o seu equipamento. A peregrinação a pé está ao alcance de qualquer pessoa, mesmo que não seja um atleta, sempre que se saiba dosear o esforço em função da idade e das possibilidades físicas. É aconselhável treinar realizando caminhadas cada vez mais longas na sua terra natal e, se possível, com a mochila carregada daquilo que considera "imprescindível". Assim, você compreenderá que quando o "imprescindível" pesa demasiadamente, ele deixa de ser realmente imprescindível. »
Luís Freitas "LIBERDADE TOTAL"
Escrevo este artigo com base na minha experiência de muitos meses e quilómetros andados a fazer o Caminho de Santiago – rota francesa, e ainda uma parte do Caminho Central Português. Deixem-me que vos diga que o corpo e a alma chegam sempre renovados. Mas nem tudo é um céu infinito, convém respeitar algumas regras, a começar pelo nosso corpo. Só assim a aventura chega a porto seguro. Quando decidimos fazer uma caminhada, como o Caminho de Santiago, há que começar o quanto antes a preparar a deslocação com um treino físico adequado. Realizando uma preparação equilibrada poderá desfrutar melhor do muito que a peregrinação lhe pode dar. A filosofia do Caminho, os seus aspectos espirituais, culturais e as belezas naturais não devem deixar de ser aproveitados por motivos de cansaço, falta de informação ou problemas físicos decorrentes de uma má preparação. Fazer o Caminho de Santiago não é fazer montanhismo! Ter experiência em montanhismo ajuda, porém não é necessário tê-la para fazer o Caminho. Procure aprender alguma coisa sobre caminhadas, antes de comprar o equipamento e de começar a andar. Foi o que fiz, depois de me aconselhar. Comece o treino realizando caminhadas curtas, sem exagerar nas distâncias. Nada de se meter a percorrer dezenas de quilómetros num dia, comece com uns cinco ou seis e vá aumentando o ritmo. Com o tempo, o ideal seria percorrer a quilometragem média das etapas do Caminho (20 a 30 km), durante três ou quatro dias seguidos, até a data do embarque para a Espanha, ou mesmo em Portugal, se for o caso. A melhor maneira de preparar-se, é fazer caminhadas com mochilas relativamente leves, por percursos mais curtos e, progressivamente, ir aumentando o peso e a distância. Treine utilizando diferentes tipos de pisos, pois no Caminho vai andar em trilhos de diversos pisos. O asfalto e o cascalho (pedras britadas) são os piores tipos de terreno para um caminhante. São duros e causam maiores dores musculares. Quando estiver próximo ao dia da partida e já houver adquirido todo o seu equipamento, realize caminhada com a mochila carregada com aquilo que você considera fundamental levar. Pense que o imprescindível não seja bem o que pensa, apenas acontece quando você tiver a dura noção do peso. As botas também devem ser amaciadas. Atenção: usar botos (ou ténis) novos, são mau exemplo para caminhadas de longa distância. Aproveite para usar as suas roupas de caminhada, a fim de evitar surpresas desagradáveis por inadequação de equipamento. Pode usar roupas usadas, mas leves. Nas lojas de desporto existem várias ofertas no que diz respeito a shirts e pólos térmicos bem leves, e que fazem a diferença. Caso não tenha a oportunidade de se preparar fisicamente para percorrer o Caminho, será o próprio Caminho o seu campo de treino. Não se ponha a lamentar, vai sentir isso no dia-a-dia. A melhor coisa é preparar a mente, factor não menos essencial que o preparo físico resulte. Para tanto, aprenda a ouvir o seu corpo, a sentir quais os seus limites e comece devagar. Recomenda-se, também, praticar alguns exercícios de alongamento antes e depois de caminhar. Antes de caminhar é importante um aquecimento do corpo através da realização de alongamentos. Para o peregrino, esta prática pode e deve ser realizada diariamente, antes, durante e depois da caminhada. Na preparação e principalmente no Caminho. Pode escolher alguns movimentos, mais específicos, que alonguem, principalmente a musculatura anterior e posterior das pernas, pois é nesta região que o peregrino sofre uma sobrecarga de trabalho, portanto dê especial atenção às suas pernas. Algumas dicas importantes · Faça os alongamentos dentro do seu limite e sem sentir dor; · Procure relaxar, enquanto faz os alongamentos com suavidade; · Mantenha sua posição de alongamento por, pelo menos, 20 segundos e sem fazer balanceio; · Vá avançando lentamente sem se comparar com outras pessoas, procure atingir os seus objectivos devagar; · Respire naturalmente. A respiração é uma grande aliada do trabalho de alongamento e ela deve ser o mais natural possível; · Não se esqueça de alongar os diferentes grupos musculares. Recomendações especiais O nosso corpo sente muito quando caminhamos com as mochilas, por isso recomendamos que as mesmas não devam exceder de 8 a 10 quilos, algo semelhante a não exceder 10% do nosso peso. É necessário, não somente distribuir o peso dentro da mochila, como também treinar e preparar a musculatura lombar e a da chamada cintura escapular, especialmente devido ao nosso caminho que envolve subidas e descidas. Normalmente, a média de tempo que um peregrino leva para caminhar desde a fronteira com a França até Santiago é de 28 a 35 dias. Não adianta querer ignorar que o tempo disponível é o seu para tomar a CAMINHADA numa operação aritmética onde o resultado é um qualquer número absurdo de quilómetros por dia. A coisa realmente não funciona dessa forma. Ter capacidade para caminhar uma determinada distância em apenas um dia ou dois, na sua cidade, é muito diferente de percorrer esta mesma distância seguidamente durante todos os dias, carregando uma mochila nas costas, até completar cerca de 800 km. Por isso pode planear o seu tempo de caminhada. Eu defini à partida que as minhas etapas/épocas se desenrolavam na casa dos 12 a 14 dias, equivalendo entre os 200 e 270 KM. Além de que importa valorizar o tempo de viagem até o inicio do Caminho e o tempo de volta, sem esquecer que você não conseguirá chegar a Compostela e regressar a casa com calma logo no mesmo dia. Reserve um tempo também para desfrutar de sua realização e de uma das cidades mais fantásticas de todo o mundo. O melhor para quem não dispõe de tempo necessário para o percurso desde a fronteira é começar a caminhar de um ponto mais próximo de Santiago. Há muitos espanhóis que partem de Sarria, que dista 110 Km de Santiago, são 5 a 6 dias caminhando e com direito a receber a tão desejada Compustela. Bom, com algumas batotas pelo meio, mas isso são outras histórias que não cabem aqui neste momento. As lições do Caminho de Santiago estão vividas geralmente nas pequenas coisas. Surgem como a luz que anuncia a chegada de mais um dia, ensinam velhos segredos a quem observa o voo dos pássaros ou despertam a consciência daqueles que contemplam o trabalho dos pastores. O poder do peregrino não está no domínio da distância, mas na comunhão com tudo aquilo que o cerca. Vamos por partes: como caminhar Uma pergunta que sempre surge é: "quantas horas de caminhada devem ser feitas diariamente?” Há duas regras básicas a considerar: 1 - Não andar rápido demais: para podermos efectuar o caminho percebendo o que acontece ao seu redor tão diferente do dia-a-dia nas cidades, em que mal temos tempo para pensar em nós mesmos, o caminho é lindo e merece ser apreciado; 2 - Nem lento demais: lembre-se que tem um objectivo pela frente. Devagar em demasia pode desgastar o seu entusiasmo e pode quebrar o seu ritmo de andar. Entretanto a escolha é sua. A média da grande maioria dos peregrinos com quem fui falando apontava para uma média de 5 a 8 horas por dia, onde se incluía duas ou três paragens para descansar, contemplar a natureza e alguns monumentos históricos. O caminho dá-lhe a oportunidade de sentir verdadeiramente a natureza: você é acordado pelo sol e não pelo relógio. Come quando sente fome, e não em horários pré-determinados. Caminha o tanto que o corpo deixa e dorme quando e onde se pode. Nos dias de muito calor, é recomendado que comece a jornada o mais cedo possível (6 ou 6 e meia, os albergues têm que estar vazios até às oito da matina o mais tarde) a fim de evitar as horas mais tórridas, além de dar oportunidade de chegar mais cedo ao albergue e ver dobrada as hipóteses de ter uma cama /beliche vazia, bem localizada e um banheiro ainda limpo. Dessa forma irá permitir que tenha tempo de lavar a sua roupa tranquilamente. O Caminho está lá e pertence a quem caminha. Qualquer um pode afivelar a mochila e botar o pé na estrada. Se o seu sentido de caminhar é espiritual, você poderá achar uma maneira que o coloque nos trilhos, que o ajuda a buscar. É preciso disciplina e dedicação e os benefícios só aparecem com a prática constante, como na ginástica. Antes de mais nada é preciso ambientar-se com a rota. Ler sobre a história do Caminho e das peregrinações é importante. Conhecer a experiência de outros peregrinos também pode ajudar bastante. Mas lembre-se: o motivo que o leva a percorrer o Caminho é pessoal. Não existe um motivo certo ou errado, adequado ou não, existe o seu motivo, aquele que é o verdadeiro para si. Há os que fazem apenas pelo prazer de caminhar, outros por convicções religiosas e/ou por interesses artísticos e históricos existente ao longo do caminho e alguns para realizar uma promessa. Quanto melhor o peregrino se prepara para a viagem, mais perto estará do próprio motivo que o leva a realizá-la. Bem informados, nos sentimos parte da grande cadeia de peregrinos que nos precederam e realizaram plenamente o sonho de percorrer o Caminho de Santiago de Compostela. Um guia do Caminho, com mapas e distâncias precisas é necessário e indispensável. Enquanto se prepara para a viagem, entre em contacto com as "Associações do Caminho de Santiago" (em Portugal procure a Via Lusitana, associação portuguesa que melhor divulga e apoia quem pretende realizar este projecto) e informe-se sobre os percursos mais indicados e onde encontrá-los no nosso pais. As etapas normalmente percorridas pelos peregrinos são de 20 a 30 km por dia. Porém, no início da viagem, até que você se adapte e encontre seu ritmo adequado, convém serem programadas etapas mais curtas. Após os primeiros dias de caminhada, você já poderá ir aumentando a distância percorrida em cada dia, pois já estará ouvindo melhor o que o seu corpo tem a lhe dizer. Como dizia em tom de conselho Madame Debrill, então responsável pela recepção dos peregrinos em Saint Jean Pied-de-Port há mais de trinta anos, "O peregrino caminha quanto pode e não quanto quer". Programe também alguns dias de descanso, mas não muitos. É melhor fazer etapas mais curtas, coincidindo com os lugares que queira visitar com mais calma e descansar sem perder o ritmo. Consulte a lista de albergues de peregrinos actualizados caso queira utilizá-los. Essa lista está disponível através dos sítios de internet, contendo ainda uma série de pensões e hotéis existentes ao longo do Caminho. Porém informamos, os albergues são exclusivamente para os que peregrinam á pé ou de bicicleta, sem fazer etapas de carro. Não se pode fazer reservas e o acesso só é permitido mediante a apresentação da "Credencial del Peregrino". Os grupos de peregrinos, com mais de 10 pessoas, devem procurar outros alojamentos fora dos albergues habituais, os quais não comportam um número grande de pessoas. Tais grupos, normalmente auxiliados por carros de apoio que carregam as bagagens, têm mais meios de hospedagem ao seu alcance. Não é lógico que ocupem todo o refúgio e deixem sem lugar para dormir peregrinos que carregam na mochila todo o seu equipamento. A peregrinação a pé está ao alcance de qualquer pessoa, mesmo que não seja um atleta, sempre que se saiba dosear o esforço em função da idade e das possibilidades físicas. É aconselhável treinar realizando caminhadas cada vez mais longas na sua terra natal e, se possível, com a mochila carregada daquilo que considera "imprescindível". Assim, você compreenderá que quando o "imprescindível" pesa demasiadamente, ele deixa de ser realmente imprescindível. »
Luís Freitas "LIBERDADE TOTAL"
Escrevo este artigo com base na minha experiência de muitos meses e quilómetros andados a fazer o Caminho de Santiago – rota francesa, e ainda uma parte do Caminho Central Português. Deixem-me que vos diga que o corpo e a alma chegam sempre renovados. Mas nem tudo é um céu infinito, convém respeitar algumas regras, a começar pelo nosso corpo. Só assim a aventura chega a porto seguro. Quando decidimos fazer uma caminhada, como o Caminho de Santiago, há que começar o quanto antes a preparar a deslocação com um treino físico adequado. Realizando uma preparação equilibrada poderá desfrutar melhor do muito que a peregrinação lhe pode dar. A filosofia do Caminho, os seus aspectos espirituais, culturais e as belezas naturais não devem deixar de ser aproveitados por motivos de cansaço, falta de informação ou problemas físicos decorrentes de uma má preparação. Fazer o Caminho de Santiago não é fazer montanhismo! Ter experiência em montanhismo ajuda, porém não é necessário tê-la para fazer o Caminho. Procure aprender alguma coisa sobre caminhadas, antes de comprar o equipamento e de começar a andar. Foi o que fiz, depois de me aconselhar. Comece o treino realizando caminhadas curtas, sem exagerar nas distâncias. Nada de se meter a percorrer dezenas de quilómetros num dia, comece com uns cinco ou seis e vá aumentando o ritmo. Com o tempo, o ideal seria percorrer a quilometragem média das etapas do Caminho (20 a 30 km), durante três ou quatro dias seguidos, até a data do embarque para a Espanha, ou mesmo em Portugal, se for o caso. A melhor maneira de preparar-se, é fazer caminhadas com mochilas relativamente leves, por percursos mais curtos e, progressivamente, ir aumentando o peso e a distância. Treine utilizando diferentes tipos de pisos, pois no Caminho vai andar em trilhos de diversos pisos. O asfalto e o cascalho (pedras britadas) são os piores tipos de terreno para um caminhante. São duros e causam maiores dores musculares. Quando estiver próximo ao dia da partida e já houver adquirido todo o seu equipamento, realize caminhada com a mochila carregada com aquilo que você considera fundamental levar. Pense que o imprescindível não seja bem o que pensa, apenas acontece quando você tiver a dura noção do peso. As botas também devem ser amaciadas. Atenção: usar botos (ou ténis) novos, são mau exemplo para caminhadas de longa distância. Aproveite para usar as suas roupas de caminhada, a fim de evitar surpresas desagradáveis por inadequação de equipamento. Pode usar roupas usadas, mas leves. Nas lojas de desporto existem várias ofertas no que diz respeito a shirts e pólos térmicos bem leves, e que fazem a diferença. Caso não tenha a oportunidade de se preparar fisicamente para percorrer o Caminho, será o próprio Caminho o seu campo de treino. Não se ponha a lamentar, vai sentir isso no dia-a-dia. A melhor coisa é preparar a mente, factor não menos essencial que o preparo físico resulte. Para tanto, aprenda a ouvir o seu corpo, a sentir quais os seus limites e comece devagar. Recomenda-se, também, praticar alguns exercícios de alongamento antes e depois de caminhar. Antes de caminhar é importante um aquecimento do corpo através da realização de alongamentos. Para o peregrino, esta prática pode e deve ser realizada diariamente, antes, durante e depois da caminhada. Na preparação e principalmente no Caminho. Pode escolher alguns movimentos, mais específicos, que alonguem, principalmente a musculatura anterior e posterior das pernas, pois é nesta região que o peregrino sofre uma sobrecarga de trabalho, portanto dê especial atenção às suas pernas. Algumas dicas importantes · Faça os alongamentos dentro do seu limite e sem sentir dor; · Procure relaxar, enquanto faz os alongamentos com suavidade; · Mantenha sua posição de alongamento por, pelo menos, 20 segundos e sem fazer balanceio; · Vá avançando lentamente sem se comparar com outras pessoas, procure atingir os seus objectivos devagar; · Respire naturalmente. A respiração é uma grande aliada do trabalho de alongamento e ela deve ser o mais natural possível; · Não se esqueça de alongar os diferentes grupos musculares. Recomendações especiais O nosso corpo sente muito quando caminhamos com as mochilas, por isso recomendamos que as mesmas não devam exceder de 8 a 10 quilos, algo semelhante a não exceder 10% do nosso peso. É necessário, não somente distribuir o peso dentro da mochila, como também treinar e preparar a musculatura lombar e a da chamada cintura escapular, especialmente devido ao nosso caminho que envolve subidas e descidas. Normalmente, a média de tempo que um peregrino leva para caminhar desde a fronteira com a França até Santiago é de 28 a 35 dias. Não adianta querer ignorar que o tempo disponível é o seu para tomar a CAMINHADA numa operação aritmética onde o resultado é um qualquer número absurdo de quilómetros por dia. A coisa realmente não funciona dessa forma. Ter capacidade para caminhar uma determinada distância em apenas um dia ou dois, na sua cidade, é muito diferente de percorrer esta mesma distância seguidamente durante todos os dias, carregando uma mochila nas costas, até completar cerca de 800 km. Por isso pode planear o seu tempo de caminhada. Eu defini à partida que as minhas etapas/épocas se desenrolavam na casa dos 12 a 14 dias, equivalendo entre os 200 e 270 KM. Além de que importa valorizar o tempo de viagem até o inicio do Caminho e o tempo de volta, sem esquecer que você não conseguirá chegar a Compostela e regressar a casa com calma logo no mesmo dia. Reserve um tempo também para desfrutar de sua realização e de uma das cidades mais fantásticas de todo o mundo. O melhor para quem não dispõe de tempo necessário para o percurso desde a fronteira é começar a caminhar de um ponto mais próximo de Santiago. Há muitos espanhóis que partem de Sarria, que dista 110 Km de Santiago, são 5 a 6 dias caminhando e com direito a receber a tão desejada Compustela. Bom, com algumas batotas pelo meio, mas isso são outras histórias que não cabem aqui neste momento. As lições do Caminho de Santiago estão vividas geralmente nas pequenas coisas. Surgem como a luz que anuncia a chegada de mais um dia, ensinam velhos segredos a quem observa o voo dos pássaros ou despertam a consciência daqueles que contemplam o trabalho dos pastores. O poder do peregrino não está no domínio da distância, mas na comunhão com tudo aquilo que o cerca. Vamos por partes: como caminhar Uma pergunta que sempre surge é: "quantas horas de caminhada devem ser feitas diariamente?” Há duas regras básicas a considerar: 1 - Não andar rápido demais: para podermos efectuar o caminho percebendo o que acontece ao seu redor tão diferente do dia-a-dia nas cidades, em que mal temos tempo para pensar em nós mesmos, o caminho é lindo e merece ser apreciado; 2 - Nem lento demais: lembre-se que tem um objectivo pela frente. Devagar em demasia pode desgastar o seu entusiasmo e pode quebrar o seu ritmo de andar. Entretanto a escolha é sua. A média da grande maioria dos peregrinos com quem fui falando apontava para uma média de 5 a 8 horas por dia, onde se incluía duas ou três paragens para descansar, contemplar a natureza e alguns monumentos históricos. O caminho dá-lhe a oportunidade de sentir verdadeiramente a natureza: você é acordado pelo sol e não pelo relógio. Come quando sente fome, e não em horários pré-determinados. Caminha o tanto que o corpo deixa e dorme quando e onde se pode. Nos dias de muito calor, é recomendado que comece a jornada o mais cedo possível (6 ou 6 e meia, os albergues têm que estar vazios até às oito da matina o mais tarde) a fim de evitar as horas mais tórridas, além de dar oportunidade de chegar mais cedo ao albergue e ver dobrada as hipóteses de ter uma cama /beliche vazia, bem localizada e um banheiro ainda limpo. Dessa forma irá permitir que tenha tempo de lavar a sua roupa tranquilamente. O Caminho está lá e pertence a quem caminha. Qualquer um pode afivelar a mochila e botar o pé na estrada. Se o seu sentido de caminhar é espiritual, você poderá achar uma maneira que o coloque nos trilhos, que o ajuda a buscar. É preciso disciplina e dedicação e os benefícios só aparecem com a prática constante, como na ginástica. Antes de mais nada é preciso ambientar-se com a rota. Ler sobre a história do Caminho e das peregrinações é importante. Conhecer a experiência de outros peregrinos também pode ajudar bastante. Mas lembre-se: o motivo que o leva a percorrer o Caminho é pessoal. Não existe um motivo certo ou errado, adequado ou não, existe o seu motivo, aquele que é o verdadeiro para si. Há os que fazem apenas pelo prazer de caminhar, outros por convicções religiosas e/ou por interesses artísticos e históricos existente ao longo do caminho e alguns para realizar uma promessa. Quanto melhor o peregrino se prepara para a viagem, mais perto estará do próprio motivo que o leva a realizá-la. Bem informados, nos sentimos parte da grande cadeia de peregrinos que nos precederam e realizaram plenamente o sonho de percorrer o Caminho de Santiago de Compostela. Um guia do Caminho, com mapas e distâncias precisas é necessário e indispensável. Enquanto se prepara para a viagem, entre em contacto com as "Associações do Caminho de Santiago" (em Portugal procure a Via Lusitana, associação portuguesa que melhor divulga e apoia quem pretende realizar este projecto) e informe-se sobre os percursos mais indicados e onde encontrá-los no nosso pais. As etapas normalmente percorridas pelos peregrinos são de 20 a 30 km por dia. Porém, no início da viagem, até que você se adapte e encontre seu ritmo adequado, convém serem programadas etapas mais curtas. Após os primeiros dias de caminhada, você já poderá ir aumentando a distância percorrida em cada dia, pois já estará ouvindo melhor o que o seu corpo tem a lhe dizer. Como dizia em tom de conselho Madame Debrill, então responsável pela recepção dos peregrinos em Saint Jean Pied-de-Port há mais de trinta anos, "O peregrino caminha quanto pode e não quanto quer". Programe também alguns dias de descanso, mas não muitos. É melhor fazer etapas mais curtas, coincidindo com os lugares que queira visitar com mais calma e descansar sem perder o ritmo. Consulte a lista de albergues de peregrinos actualizados caso queira utilizá-los. Essa lista está disponível através dos sítios de internet, contendo ainda uma série de pensões e hotéis existentes ao longo do Caminho. Porém informamos, os albergues são exclusivamente para os que peregrinam á pé ou de bicicleta, sem fazer etapas de carro. Não se pode fazer reservas e o acesso só é permitido mediante a apresentação da "Credencial del Peregrino". Os grupos de peregrinos, com mais de 10 pessoas, devem procurar outros alojamentos fora dos albergues habituais, os quais não comportam um número grande de pessoas. Tais grupos, normalmente auxiliados por carros de apoio que carregam as bagagens, têm mais meios de hospedagem ao seu alcance. Não é lógico que ocupem todo o refúgio e deixem sem lugar para dormir peregrinos que carregam na mochila todo o seu equipamento. A peregrinação a pé está ao alcance de qualquer pessoa, mesmo que não seja um atleta, sempre que se saiba dosear o esforço em função da idade e das possibilidades físicas. É aconselhável treinar realizando caminhadas cada vez mais longas na sua terra natal e, se possível, com a mochila carregada daquilo que considera "imprescindível". Assim, você compreenderá que quando o "imprescindível" pesa demasiadamente, ele deixa de ser realmente imprescindível. »