GALOPIM DE CARVALHO PEGADAS NA PRAIA GRANDE DO RODÍZIO
FERNANDO MORAIS GOMES MISSA DAS DEZ EM S.MARTINHO EDUARDO SÉRGIO O OLHO DA LIBÉLULA FILOMENA MARONA BEJA A SENHORA INFANTA EM SINTRA GALOPIM DE CARVALHO PEGADAS NA PRAIA GRANDE DO RODÍZIO
Em 1983, José Madeira e Rui Dias, então assistentes do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências de Lisboa e meus ex-alunos brilhantes, hoje professores universitários, o primeiro em Lisboa e o segundo em Évora, descobriram vários trilhos com pegadas de dinossáurios numa camada de calcário, empinada à vertical, na arriba que limita a sul a Praia Grande do Rodízio, perto de Colares, no concelho de Sintra. Estas marcas ou vestígios fósseis mostram que, há cerca de 120 milhões de anos, andaram nestas paragens corpulentos dinossáurios herbívoros (saurópodes) e carnívoros (terópodes), a avaliar pelas dimensões das respectivas pegadas. Nesta época longínqua a paisagem era diferente da actual. A serra de Sintra só se elevaria uns 35 milhões de anos depois. A região era uma planície litoral com lagunas frente a um braço de mar, estreito e pouco profundo, a separar as terras hoje da Península Ibérica das da costa do Labrador, no Canadá, uns 25 milhões de anos antes da abertura do Atlântico Norte. É esta história que se poderia contar neste local se os responsáveis acreditassem que isso é importante. Iniciei, em 1992, junto da direcção do Parque Natural de Sintra-Cascais e da Câmara Municipal de Sintra, diligências no sentido da conveniente musealização do sítio, de modo a torná-lo acessível à fruição por parte do público, intervenção essa, sempre prometida e nunca concretizada, face a este relevante pólo de atracção turística. O projecto de arquitectura, da autoria do Arqt.º Mário Moutinho, que então apresentei em nome do Museu, e toda a colaboração que, pessoalmente, prestei e prometi prestar não foram suficientes para entusiasmar os sucessivos responsáveis das duas instituições, numa obra simples e de custos relativamente baixos (cerca de 15 000 Euros) na altura, obra que a ciência, o ensino, a cultura e, até, o turismo agradeceriam. Esta inoperância, entre outras causas, é mais uma prova da incultura geológica dos portugueses, incluindo muitos dos responsáveis da administração, uma constatação que venho a fazer há décadas e que não é demais repetir. Consciente da vulnerabilidade às intempéries do lajão que contém as pegadas, junto à escadaria que liga a praia à estrada de Almoçageme, solicitei, há bem mais de uma dezena de anos, o parecer de um técnico do Laboratório Nacional de Engenharia Civil que, não só confirmou os meus receios, como indicou o tipo de intervenção a fazer, designadamente, a impermeabilização e consolidação da rocha. Desde então as correspondentes autoridades têm conhecimento desta dramática situação e do risco que isso representa como perda, para todo o sempre, de um testemunho valioso e raro do nosso passado mais antigo. Esta vulnerabilidade do grande afloramento rochoso representa, ainda, um risco latente para os utilizadores desta escadaria e dos que, cá em baixo, frequentam a praia. A jazida com pegadas de dinossáurios da Praia Grande já começou a ruir. Há já não sei quantos anos, uma derrocada maior levou-lhe a parte superior da camada, atulhando e atravancando a escadaria que lhe fica na base, privando os utentes habituais de usar aquele útil percurso. A escadaria foi recentemente reposta e convida a visita as pegadas, mas nada se fez quanto a consolidação da camada que as contém.

Revista cultural de Sintra

RAQUEL OCHOA BOM DIA OU GOOD MORNING? GONÇALO MOLEIRO "A ARQUITECTURA E O MODO COMO QUEREMOS VIVER" JOÃO RODIL CHRISTOPHER ISHERWOOD E A GERAÇÃO AUDEN EM SINTRA MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS

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GALOPIM DE CARVALHO PEGADAS NA PRAIA GRANDE DO RODÍZIO
FERNANDO MORAIS GOMES MISSA DAS DEZ EM S.MARTINHO EDUARDO SÉRGIO O OLHO DA LIBÉLULA FILOMENA MARONA BEJA A SENHORA INFANTA EM SINTRA GALOPIM DE CARVALHO PEGADAS NA PRAIA GRANDE DO RODÍZIO
Em 1983, José Madeira e Rui Dias, então assistentes do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências de Lisboa e meus ex-alunos brilhantes, hoje professores universitários, o primeiro em Lisboa e o segundo em Évora, descobriram vários trilhos com pegadas de dinossáurios numa camada de calcário, empinada à vertical, na arriba que limita a sul a Praia Grande do Rodízio, perto de Colares, no concelho de Sintra. Estas marcas ou vestígios fósseis mostram que, há cerca de 120 milhões de anos, andaram nestas paragens corpulentos dinossáurios herbívoros (saurópodes) e carnívoros (terópodes), a avaliar pelas dimensões das respectivas pegadas. Nesta época longínqua a paisagem era diferente da actual. A serra de Sintra só se elevaria uns 35 milhões de anos depois. A região era uma planície litoral com lagunas frente a um braço de mar, estreito e pouco profundo, a separar as terras hoje da Península Ibérica das da costa do Labrador, no Canadá, uns 25 milhões de anos antes da abertura do Atlântico Norte. É esta história que se poderia contar neste local se os responsáveis acreditassem que isso é importante. Iniciei, em 1992, junto da direcção do Parque Natural de Sintra-Cascais e da Câmara Municipal de Sintra, diligências no sentido da conveniente musealização do sítio, de modo a torná-lo acessível à fruição por parte do público, intervenção essa, sempre prometida e nunca concretizada, face a este relevante pólo de atracção turística. O projecto de arquitectura, da autoria do Arqt.º Mário Moutinho, que então apresentei em nome do Museu, e toda a colaboração que, pessoalmente, prestei e prometi prestar não foram suficientes para entusiasmar os sucessivos responsáveis das duas instituições, numa obra simples e de custos relativamente baixos (cerca de 15 000 Euros) na altura, obra que a ciência, o ensino, a cultura e, até, o turismo agradeceriam. Esta inoperância, entre outras causas, é mais uma prova da incultura geológica dos portugueses, incluindo muitos dos responsáveis da administração, uma constatação que venho a fazer há décadas e que não é demais repetir. Consciente da vulnerabilidade às intempéries do lajão que contém as pegadas, junto à escadaria que liga a praia à estrada de Almoçageme, solicitei, há bem mais de uma dezena de anos, o parecer de um técnico do Laboratório Nacional de Engenharia Civil que, não só confirmou os meus receios, como indicou o tipo de intervenção a fazer, designadamente, a impermeabilização e consolidação da rocha. Desde então as correspondentes autoridades têm conhecimento desta dramática situação e do risco que isso representa como perda, para todo o sempre, de um testemunho valioso e raro do nosso passado mais antigo. Esta vulnerabilidade do grande afloramento rochoso representa, ainda, um risco latente para os utilizadores desta escadaria e dos que, cá em baixo, frequentam a praia. A jazida com pegadas de dinossáurios da Praia Grande já começou a ruir. Há já não sei quantos anos, uma derrocada maior levou-lhe a parte superior da camada, atulhando e atravancando a escadaria que lhe fica na base, privando os utentes habituais de usar aquele útil percurso. A escadaria foi recentemente reposta e convida a visita as pegadas, mas nada se fez quanto a consolidação da camada que as contém.
RAQUEL OCHOA BOM DIA OU GOOD MORNING? GONÇALO MOLEIRO "A ARQUITECTURA E O MODO COMO QUEREMOS VIVER" JOÃO RODIL CHRISTOPHER ISHERWOOD E A GERAÇÃO AUDEN EM SINTRA MIGUEL REAL BELÍSSIMO RETRACTO FICCIONAL DO CONVENTO DOS CAPUCHOS
GALOPIM DE CARVALHO PEGADAS NA PRAIA GRANDE DO RODÍZIO
Em 1983, José Madeira e Rui Dias, então assistentes do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências de Lisboa e meus ex-alunos brilhantes, hoje professores universitários, o primeiro em Lisboa e o segundo em Évora, descobriram vários trilhos com pegadas de dinossáurios numa camada de calcário, empinada à vertical, na arriba que limita a sul a Praia Grande do Rodízio, perto de Colares, no concelho de Sintra. Estas marcas ou vestígios fósseis mostram que, há cerca de 120 milhões de anos, andaram nestas paragens corpulentos dinossáurios herbívoros (saurópodes) e carnívoros (terópodes), a avaliar pelas dimensões das respectivas pegadas. Nesta época longínqua a paisagem era diferente da actual. A serra de Sintra só se elevaria uns 35 milhões de anos depois. A região era uma planície litoral com lagunas frente a um braço de mar, estreito e pouco profundo, a separar as terras hoje da Península Ibérica das da costa do Labrador, no Canadá, uns 25 milhões de anos antes da abertura do Atlântico Norte. É esta história que se poderia contar neste local se os responsáveis acreditassem que isso é importante. Iniciei, em 1992, junto da direcção do Parque Natural de Sintra-Cascais e da Câmara Municipal de Sintra, diligências no sentido da conveniente musealização do sítio, de modo a torná-lo acessível à fruição por parte do público, intervenção essa, sempre prometida e nunca concretizada, face a este relevante pólo de atracção turística. O projecto de arquitectura, da autoria do Arqt.º Mário Moutinho, que então apresentei em nome do Museu, e toda a colaboração que, pessoalmente, prestei e prometi prestar não foram suficientes para entusiasmar os sucessivos responsáveis das duas instituições, numa obra simples e de custos relativamente baixos (cerca de 15 000 Euros) na altura, obra que a ciência, o ensino, a cultura e, até, o turismo agradeceriam. Esta inoperância, entre outras causas, é mais uma prova da incultura geológica dos portugueses, incluindo muitos dos responsáveis da administração, uma constatação que venho a fazer há décadas e que não é demais repetir. Consciente da vulnerabilidade às intempéries do lajão que contém as pegadas, junto à escadaria que liga a praia à estrada de Almoçageme, solicitei, há bem mais de uma dezena de anos, o parecer de um técnico do Laboratório Nacional de Engenharia Civil que, não só confirmou os meus receios, como indicou o tipo de intervenção a fazer, designadamente, a impermeabilização e consolidação da rocha. Desde então as correspondentes autoridades têm conhecimento desta dramática situação e do risco que isso representa como perda, para todo o sempre, de um testemunho valioso e raro do nosso passado mais antigo. Esta vulnerabilidade do grande afloramento rochoso representa, ainda, um risco latente para os utilizadores desta escadaria e dos que, cá em baixo, frequentam a praia. A jazida com pegadas de dinossáurios da Praia Grande já começou a ruir. Há já não sei quantos anos, uma derrocada maior levou-lhe a parte superior da camada, atulhando e atravancando a escadaria que lhe fica na base, privando os utentes habituais de usar aquele útil percurso. A escadaria foi recentemente reposta e convida a visita as pegadas, mas nada se fez quanto a consolidação da camada que as contém.
GALOPIM DE CARVALHO PEGADAS NA PRAIA GRANDE DO RODÍZIO
Em 1983, José Madeira e Rui Dias, então assistentes do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências de Lisboa e meus ex-alunos brilhantes, hoje professores universitários, o primeiro em Lisboa e o segundo em Évora, descobriram vários trilhos com pegadas de dinossáurios numa camada de calcário, empinada à vertical, na arriba que limita a sul a Praia Grande do Rodízio, perto de Colares, no concelho de Sintra. Estas marcas ou vestígios fósseis mostram que, há cerca de 120 milhões de anos, andaram nestas paragens corpulentos dinossáurios herbívoros (saurópodes) e carnívoros (terópodes), a avaliar pelas dimensões das respectivas pegadas. Nesta época longínqua a paisagem era diferente da actual. A serra de Sintra só se elevaria uns 35 milhões de anos depois. A região era uma planície litoral com lagunas frente a um braço de mar, estreito e pouco profundo, a separar as terras hoje da Península Ibérica das da costa do Labrador, no Canadá, uns 25 milhões de anos antes da abertura do Atlântico Norte. É esta história que se poderia contar neste local se os responsáveis acreditassem que isso é importante. Iniciei, em 1992, junto da direcção do Parque Natural de Sintra-Cascais e da Câmara Municipal de Sintra, diligências no sentido da conveniente musealização do sítio, de modo a torná-lo acessível à fruição por parte do público, intervenção essa, sempre prometida e nunca concretizada, face a este relevante pólo de atracção turística. O projecto de arquitectura, da autoria do Arqt.º Mário Moutinho, que então apresentei em nome do Museu, e toda a colaboração que, pessoalmente, prestei e prometi prestar não foram suficientes para entusiasmar os sucessivos responsáveis das duas instituições, numa obra simples e de custos relativamente baixos (cerca de 15 000 Euros) na altura, obra que a ciência, o ensino, a cultura e, até, o turismo agradeceriam. Esta inoperância, entre outras causas, é mais uma prova da incultura geológica dos portugueses, incluindo muitos dos responsáveis da administração, uma constatação que venho a fazer há décadas e que não é demais repetir. Consciente da vulnerabilidade às intempéries do lajão que contém as pegadas, junto à escadaria que liga a praia à estrada de Almoçageme, solicitei, há bem mais de uma dezena de anos, o parecer de um técnico do Laboratório Nacional de Engenharia Civil que, não só confirmou os meus receios, como indicou o tipo de intervenção a fazer, designadamente, a impermeabilização e consolidação da rocha. Desde então as correspondentes autoridades têm conhecimento desta dramática situação e do risco que isso representa como perda, para todo o sempre, de um testemunho valioso e raro do nosso passado mais antigo. Esta vulnerabilidade do grande afloramento rochoso representa, ainda, um risco latente para os utilizadores desta escadaria e dos que, cá em baixo, frequentam a praia. A jazida com pegadas de dinossáurios da Praia Grande já começou a ruir. Há já não sei quantos anos, uma derrocada maior levou-lhe a parte superior da camada, atulhando e atravancando a escadaria que lhe fica na base, privando os utentes habituais de usar aquele útil percurso. A escadaria foi recentemente reposta e convida a visita as pegadas, mas nada se fez quanto a consolidação da camada que as contém.
GALOPIM DE CARVALHO PEGADAS NA PRAIA GRANDE DO RODÍZIO
Em 1983, José Madeira e Rui Dias, então assistentes do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências de Lisboa e meus ex-alunos brilhantes, hoje professores universitários, o primeiro em Lisboa e o segundo em Évora, descobriram vários trilhos com pegadas de dinossáurios numa camada de calcário, empinada à vertical, na arriba que limita a sul a Praia Grande do Rodízio, perto de Colares, no concelho de Sintra. Estas marcas ou vestígios fósseis mostram que, há cerca de 120 milhões de anos, andaram nestas paragens corpulentos dinossáurios herbívoros (saurópodes) e carnívoros (terópodes), a avaliar pelas dimensões das respectivas pegadas. Nesta época longínqua a paisagem era diferente da actual. A serra de Sintra só se elevaria uns 35 milhões de anos depois. A região era uma planície litoral com lagunas frente a um braço de mar, estreito e pouco profundo, a separar as terras hoje da Península Ibérica das da costa do Labrador, no Canadá, uns 25 milhões de anos antes da abertura do Atlântico Norte. É esta história que se poderia contar neste local se os responsáveis acreditassem que isso é importante. Iniciei, em 1992, junto da direcção do Parque Natural de Sintra-Cascais e da Câmara Municipal de Sintra, diligências no sentido da conveniente musealização do sítio, de modo a torná-lo acessível à fruição por parte do público, intervenção essa, sempre prometida e nunca concretizada, face a este relevante pólo de atracção turística. O projecto de arquitectura, da autoria do Arqt.º Mário Moutinho, que então apresentei em nome do Museu, e toda a colaboração que, pessoalmente, prestei e prometi prestar não foram suficientes para entusiasmar os sucessivos responsáveis das duas instituições, numa obra simples e de custos relativamente baixos (cerca de 15 000 Euros) na altura, obra que a ciência, o ensino, a cultura e, até, o turismo agradeceriam. Esta inoperância, entre outras causas, é mais uma prova da incultura geológica dos portugueses, incluindo muitos dos responsáveis da administração, uma constatação que venho a fazer há décadas e que não é demais repetir. Consciente da vulnerabilidade às intempéries do lajão que contém as pegadas, junto à escadaria que liga a praia à estrada de Almoçageme, solicitei, há bem mais de uma dezena de anos, o parecer de um técnico do Laboratório Nacional de Engenharia Civil que, não só confirmou os meus receios, como indicou o tipo de intervenção a fazer, designadamente, a impermeabilização e consolidação da rocha. Desde então as correspondentes autoridades têm conhecimento desta dramática situação e do risco que isso representa como perda, para todo o sempre, de um testemunho valioso e raro do nosso passado mais antigo. Esta vulnerabilidade do grande afloramento rochoso representa, ainda, um risco latente para os utilizadores desta escadaria e dos que, cá em baixo, frequentam a praia. A jazida com pegadas de dinossáurios da Praia Grande já começou a ruir. Há já não sei quantos anos, uma derrocada maior levou-lhe a parte superior da camada, atulhando e atravancando a escadaria que lhe fica na base, privando os utentes habituais de usar aquele útil percurso. A escadaria foi recentemente reposta e convida a visita as pegadas, mas nada se fez quanto a consolidação da camada que as contém.
GALOPIM DE CARVALHO PEGADAS NA PRAIA GRANDE DO RODÍZIO
Em 1983, José Madeira e Rui Dias, então assistentes do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências de Lisboa e meus ex-alunos brilhantes, hoje professores universitários, o primeiro em Lisboa e o segundo em Évora, descobriram vários trilhos com pegadas de dinossáurios numa camada de calcário, empinada à vertical, na arriba que limita a sul a Praia Grande do Rodízio, perto de Colares, no concelho de Sintra. Estas marcas ou vestígios fósseis mostram que, há cerca de 120 milhões de anos, andaram nestas paragens corpulentos dinossáurios herbívoros (saurópodes) e carnívoros (terópodes), a avaliar pelas dimensões das respectivas pegadas. Nesta época longínqua a paisagem era diferente da actual. A serra de Sintra só se elevaria uns 35 milhões de anos depois. A região era uma planície litoral com lagunas frente a um braço de mar, estreito e pouco profundo, a separar as terras hoje da Península Ibérica das da costa do Labrador, no Canadá, uns 25 milhões de anos antes da abertura do Atlântico Norte. É esta história que se poderia contar neste local se os responsáveis acreditassem que isso é importante. Iniciei, em 1992, junto da direcção do Parque Natural de Sintra-Cascais e da Câmara Municipal de Sintra, diligências no sentido da conveniente musealização do sítio, de modo a torná-lo acessível à fruição por parte do público, intervenção essa, sempre prometida e nunca concretizada, face a este relevante pólo de atracção turística. O projecto de arquitectura, da autoria do Arqt.º Mário Moutinho, que então apresentei em nome do Museu, e toda a colaboração que, pessoalmente, prestei e prometi prestar não foram suficientes para entusiasmar os sucessivos responsáveis das duas instituições, numa obra simples e de custos relativamente baixos (cerca de 15 000 Euros) na altura, obra que a ciência, o ensino, a cultura e, até, o turismo agradeceriam. Esta inoperância, entre outras causas, é mais uma prova da incultura geológica dos portugueses, incluindo muitos dos responsáveis da administração, uma constatação que venho a fazer há décadas e que não é demais repetir. Consciente da vulnerabilidade às intempéries do lajão que contém as pegadas, junto à escadaria que liga a praia à estrada de Almoçageme, solicitei, há bem mais de uma dezena de anos, o parecer de um técnico do Laboratório Nacional de Engenharia Civil que, não só confirmou os meus receios, como indicou o tipo de intervenção a fazer, designadamente, a impermeabilização e consolidação da rocha. Desde então as correspondentes autoridades têm conhecimento desta dramática situação e do risco que isso representa como perda, para todo o sempre, de um testemunho valioso e raro do nosso passado mais antigo. Esta vulnerabilidade do grande afloramento rochoso representa, ainda, um risco latente para os utilizadores desta escadaria e dos que, cá em baixo, frequentam a praia. A jazida com pegadas de dinossáurios da Praia Grande já começou a ruir. Há já não sei quantos anos, uma derrocada maior levou-lhe a parte superior da camada, atulhando e atravancando a escadaria que lhe fica na base, privando os utentes habituais de usar aquele útil percurso. A escadaria foi recentemente reposta e convida a visita as pegadas, mas nada se fez quanto a consolidação da camada que as contém.